segunda-feira, agosto 02, 2010

ARTE VIROU GRIFFE

Por Octaviano Moniz (Tatau)
Foto: Retrato do Tatau :: por Ivald Granato

Eu vou sair do sertão num pau-de-arara e a viagem vai virar documentário. Vou pra Sampa, a megalópole. Não levo nada, só um par de Havaianas (patrocinado que não dou mole),1kg de carne seca, muita farinha e minha inseparável Glock. Se alguém vier tirar onda em cima do baiano leva chumbo. Vai ser uma performance a la Anish Kapoor, só que a minha vai ser melhor, sem metáforas, onomatopéias, cacofonias e outras frescuras que artistas e cú-ra-dores adoram, claro, depois do vibrador japonês com I Pad e Kindle. Rios de sangue intelectualóides, vísceras de hipertexto, corações de hashtags. Tatau in concert. Aguardem, o MITOS VADIOS II. Granato vai abalar as estruturas desta Bienal caduca, que não muda desde 51, antes de JK, o mundo mudou pseudo filósofos. Este modelo não atende mais a sociedade brasileira nem mundial, são mais de 200, virou moeda de troca, a mão invisível do mercado se apossou da mostra(Adam Smith) e os artistas ficaram relegados a um banquinho sentados olhando os espectadores verem as obras como as madames vêem objetos da Hermes, da Courreges, arte virou griffe.

quarta-feira, julho 28, 2010

BIENAL OU POLÍTICA?

Por Julieta Pontes - Atista Plástica


A cada preparação para a bienal abre-se discussão sobre a atuação dessa instituição em seu papel de mostra do panorama da produção artística contemporânea. Interroga-se sobre sua abrangência e lealdade de intenções, essas discussões servem para decidirmos os caminhos necessários para seguir na evolução da livre expressão da arte. Porém que mudanças concretas isso nos tem levados e aonde existe a participação popular em eleger a obra para a Bienal? O que faz o público; além de atuar como observador desavisado e dirigido por um olhar personalizado, totalitário? Por que a imposição do olhar individual sobre uma realidade plural? Quais são os critérios? Políticos? Como assim nos sugere a filosofia desta 29ª Bienal?


É verdade que a arte não se dissocia da política enquanto defensora da liberdade, relatório de fatos e meio para a crítica sobre injustiças, porém a arte enquanto poesi ela é expressão de sentimento e liberdade que por si só constrói seu tempo. Por que a “elite erudita” se diz mais capaz de eleger a obra, já que nenhuma regra se aplica e a teoria não elege arte? Em vez de ensinar a olhar a obra, ao contrário, essa elite atrapalha, com seu discurso inacessível ao cidadão comum. Essa postura desvirtua a intenção da arte. A atividade da Bienal já foi promover a produção artística, agora se transformou em política, naquela política de apropriação e imposição de seus coordenadores. A arte é sim política: a partir do que reivindica, aponta e acusa. Nesse sentido vamos fazer política; vamos fazer uma política de oposição, na intenção de desfazer mecanismos viciados, e apresentar novos caminhos, não só para Bienais, mas para todas as instituições que lidam com divulgação e promoção da arte, elas devem ser reavaliadas em seus papeis e espaços. A arte, para não ser subjugada, vai às ruas como expressão mais abrangente. Tomem como exemplo os grafiteiros, a arte sempre escapa da institucionalização.

sábado, julho 24, 2010

Finalmente, Pixo - com ch ou x - é ou não é arte?

Pelo Mapa das Artes - Celso Fioravante
Editorial

O discurso da curadoria sobre o "pixo" na 29ª do evento, em setembro, mudou um pouco depois que o assunto conseguiu sua capa na "Ilustrada" e algumas linhas críticas no editorial do Mapa das Artes de maio-junho. Em 15 de abril, o curador Moacir dos Anjos afirmou na "Ilustrada" que "pixo é política e é arte". Em 2 de junho, a mesma "Ilustrada" publicou declaração do curador Agnaldo Farias, em que ele disse "Achamos que o trabalho deles é político, mas não sabemos se é arte". De toda forma, a curadoria disse ainda que os pichadores não irão pichar nada na Bienal, mas serão apresentados em filmes, fotos e debates. Ah bom!

Eu continuo afirmando que picho (com ch ou x) é vandalismo, mas concordo totalmente com o editorialista da "Folha de S. Paulo" Fernando Barros e Silva, que em 19 de abril finalizou seu texto "O X da questão" com a frase "Os pichadores não precisam de Bienal, mas de família, escola e uma perspectiva de vida decente". Para quem não é assinante da Folha ou do UOL, o texto está reproduzido na seção Notícias do site Mapa das Artes.

O Mapa das Artes, aliás, chega agora à sua 50ª edição! Acredito que jamais na história desse país um veículo totalmente dedicado às artes plásticas tenha tido uma vida tão longa! Que continue assim, sempre cheio de informações e crítico às maracutaias e falcatruas que, vira e mexe, assombram o circuito e iluminam o submundo das artes neste país!

sexta-feira, julho 23, 2010

Mas quem é realmente o curador-geral da 29ª Bienal?

Pelo Mapa das Artes - Celso Fioravante
Seção: Supernova

Mas quem é realmente o curador-geral da 29ª Bienal? Em novembro último, Moacir dos Anjos foi apresentado em coletiva na Bienal de São Paulo como curador-chefe da 29ª edição. Agnaldo Farias não estava presente e sequer foi mencionado. Dois meses depois Agnaldo Farias já era citado como curador-adjunto... Há poucas semanas, passou também a ser chamado curador-geral... E em alguns releases do evento, Moacir dos Anjos sequer é mencionado! O editor do Mapa das Artes enviou um e-mail para Moacir dos Anjos pedindo esclarecimentos sobre o assunto e recebeu a resposta de que a assessoria de imprensa esclareceria as minhas dúvidas, mas até agora nada... O que será que o presidente da Fundação Bienal, Heitor Martins, achou dessa história de convidar um curador e receber dois no pacote?

- Curiosidade -
A lista de artistas brasileiros contemporâneos na 29ª Bienal traz apenas um artista da Região Norte (Guy Veloso), um do Centro-Oeste (Kboco) e um do Sul (Fernando Lindote). Em compensação, só da cidade do Recife, terra natal do curador Moacir dos Anjos, são quatro: Gil Vicente, Jonathas de Andrade, Marcelo Silveira e Paulo Bruscky...

segunda-feira, julho 19, 2010

A BIENAL DA POLITICA OBSCURA

Por Plínio Palhano - Artista Plástico e critico de arte

Toda Bienal, principalmente no Brasil, é polêmica, e, no mundo, existem mais de duas centenas delas. A anterior (2008), de São Paulo, foi chamada — como é do conhecimento público — a do Vazio, porque deixou um dos andares do edifício sem nenhuma utilidade. Esse andar foi preenchido pelos pichadores, que, dizem, serão representados este ano, na 29ª Bienal, em vídeos e fotos, num provável ato estratégico e preventivo com o fim, talvez, de domesticá-los e evitar que se atrevam a repetir a “transgressão”. Os curadores ainda têm o desplante de dizer que não sabem se o que os pichadores fazem é arte. Ora, se não sabem, para que servem esses vídeos e essas fotos?

Esta Bienal de 2010 é a da Política Obscura, porque, segundo o conceito dos atuais curadores, não se pode distanciar arte da política — isso dito sem maiores explicações. Mas a que política eles se referem? A dos conchavos? A das cartas marcadas? Diz-se que a permanência de políticas estranhas na Bienal é fato, sem nenhuma dúvida.

A unanimidade entre os pensadores e críticos das Bienais é que essas instituições estão em crise, falidas, nelas havendo pouquíssimas surpresas, principalmente no aspecto da concepção, mas, no Brasil, acrescentam-se as dívidas financeiras exorbitantes. E já que a curadoria fala da aproximação da arte com a política, seria fundamental dar outra dimensão ao evento, com uma verdadeira política, transparente e objetiva, sem as afirmações e os conceitos dúbios que geram apenas especulações e não atingem a finalidade de uma Bienal.