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segunda-feira, agosto 02, 2010

ARTE VIROU GRIFFE

Por Octaviano Moniz (Tatau)
Foto: Retrato do Tatau :: por Ivald Granato

Eu vou sair do sertão num pau-de-arara e a viagem vai virar documentário. Vou pra Sampa, a megalópole. Não levo nada, só um par de Havaianas (patrocinado que não dou mole),1kg de carne seca, muita farinha e minha inseparável Glock. Se alguém vier tirar onda em cima do baiano leva chumbo. Vai ser uma performance a la Anish Kapoor, só que a minha vai ser melhor, sem metáforas, onomatopéias, cacofonias e outras frescuras que artistas e cú-ra-dores adoram, claro, depois do vibrador japonês com I Pad e Kindle. Rios de sangue intelectualóides, vísceras de hipertexto, corações de hashtags. Tatau in concert. Aguardem, o MITOS VADIOS II. Granato vai abalar as estruturas desta Bienal caduca, que não muda desde 51, antes de JK, o mundo mudou pseudo filósofos. Este modelo não atende mais a sociedade brasileira nem mundial, são mais de 200, virou moeda de troca, a mão invisível do mercado se apossou da mostra(Adam Smith) e os artistas ficaram relegados a um banquinho sentados olhando os espectadores verem as obras como as madames vêem objetos da Hermes, da Courreges, arte virou griffe.

sexta-feira, julho 16, 2010

COITO INTERROMPIDO - A BIENAL QUE NÃO HOUVE

Por: Octaviano Moniz

Fui somente numa Bienal de São Paulo.Não lembro o numero mas foi em 1987. Estava casado com uma modelo e louco para conhecer esta mega mostra brasileira. São Paulo me impressionou, tudo muito longe, e de carro, que saco! Tinha passado muitos anos em Londres mas "the tube" resolvia tudo rapidinho, até ir para o East End. Mas Washington Luis, nosso presidente, descobriu que governar era abrir estradas e deu nisso: algo indefinível. O Brasil é uma Transamazônica gigante. Agora teremos uma nova obra de arte: o trem-bala. R$50 bilhões, claro, 60% financiado com nosso dinheiro. Será que estas mega-empresas encontram esta mamata artística lá fora? Outro monumento artístico do nosso palhaço mor vai ser a Usina de Belo Monte, alagaremos 500 Km2 da Amazônia e nós financiaremos 80% da obra. Que escultura. Nem adianta dizer quanto vai custar pois tem uma palavra mágica chamada aditamento que faz 3 virar 7 em meio segundo. Breve chegaremos ao Bóson de Higgens antes do CERN na Suiça.
Mas voltando a minha visita a esta arte menor, o prédio é gigantesco e como misturam cachaça com vodka, margherita, conhaque para não tomar um porre sugiro 5 visitas. É colossal demais, não sentimos aquela intimidade com a obra, a fruição solitária de uma peça, quando menos se espera meninos passam em sua frente gritando que um é Hee Man o outro algum avatar japonês, a mãe enlouquecida atrás e a concentração já foi para o espaço. E nosso programa espacial vai uma lastima, da ultima vez acabou em explosão. Devido ao tamanho, a quantidade de visitantes, variedade de linguagens e escolas (se isso ainda existe) é uma experiência traumática, que você tem que fazer as pressas para poder concluir. Um coito interrompido. O melhor local para apreciar a mostra é em casa, sorvendo um chá de darjeeling e usufruindo o catalogo em silêncio e completa concentração. Este mega modelo para mim é caduco e só comparável a visita de uma perua-dondoca ao shoppinhg center. Em busca do não ser.