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domingo, dezembro 12, 2010

Bienal de SP não atinge o público esperado, mas curador se diz aliviado

Maria Carolina Maia - Veja - 12.12.2010

Meta da organização do evento, que termina neste domingo, era receber 1 milhão de pessoas. Total de visitantes deve ficar entre 550.000 e 600.000

Foto de Moacir dos Anjo, que dividiu a curadoria da 29ª Bienal de São Paulo com Agnaldo Farias

Moacir dos Anjo, que dividiu a curadoria da 29ª Bienal de São Paulo com Agnaldo Farias (Divulgação)

Após quase três meses, a 29ª Bienal de São Paulo chega ao fim neste domingo com um público menor que o esperado – a meta inicial da organização era atrair 1 milhão de visitantes ao pavilhão do Parque do Ibirapuera. O número final de espectadores só será conhecido nesta segunda-feira, quando será feito um balanço da mostra. Mas, de acordo com Moacir dos Anjos, que dividiu a curadoria da exposição com Agnaldo Farias, o número deve ficar entre 550.000 e 600.000 pessoas.

Se não atingiu o objetivo estabelecido em termos de público, a 29ª edição da Bienal teve outras conquistas. A importância do evento, diluída em sua edição anterior (apelidada de "Bienal do Vazio"), restabeleceu-se. Houve diversas polêmicas e a presença de estudantes se ampliou.

É provável que o empresário Heitor Martins, considerado o grande responsável pela revitalização do maior evento de arte nacional – ele transformou uma dúvida de 4 milhões de reais em investimentos de 30 milhões e recuperou a imagem da mostra – permaneça à frente da Fundação Bienal para a edição de 2012. Moacir dos Anjos, no entanto, já anuncia que vai sair. Segundo ele, é saudável para o evento ter um olhar diferente a cada edição e ele próprio quer se dedicar a projetos menores. Antes de se despedir da exposição, Moacir dos Santos conversou com o site de VEJA. Confira abaixo, em tópicos, os principais momentos da entrevista.

Público
“Devemos alcançar algo entre 550.000 e 600.000 visitantes. É um número expressivo, tão grande quanto o da 27ª Bienal, aquela realizada antes da Bienal do Vazio (que recebeu 150.000 pessoas), e maior que o da Bienal de Veneza, de cinco meses de duração. Está entre os maiores públicos de qualquer Bienal do mundo. Poderia ser mais, é claro, mas, creio que há um limite de público para o evento. É um paradoxo: a gente quer atrair o maior número de pessoas, mas sabe que há um teto. Um milhão é um número mágico ligado a um desejo de inclusão quase absoluto. Um número simbólico. Não estava amparado em nenhum dado científico relacionado à capacidade da exposição acolher esse número de pessoas de forma adequada. Receber cerca de 600.000 pessoas já demanda um grande esforço para permitir que a exposição seja apreciada por todos sem nenhum prejuízo da experiência. Eu tenho dúvida da capacidade de uma exposição desse tamanho comportar mais público do que isso. Eu estive na mostra diariamente e vi que ela estava cheia, no limite da visibilidade. Em algumas salas, a gente circulava com dificuldade, especialmente a partir das 15h.”

Escolas
“Ter quase metade do público constituído por estudantes e professores é um mérito, não um demérito. Esse é o foco do evento. O projeto educativo começou simultaneamente com o da curadoria, em agosto de 2009, não como apêndice, e sim como parte central da proposta da exposição. Em fevereiro, já estávamos com todo o projeto educativo pronto, textos e jogos elaborados. Em março, começamos o treinamento de professores da rede pública e privada – até agosto, foram treinados cerca de 30.000 professores, que puderam reproduzir em sala o conteúdo recebido. Só não trouxemos mais alunos por questões logísticas.”

Polêmicas
“Tenho um sentimento ambivalente em relação às polêmicas. Elas mostraram como as artes visuais podem fazer alguns segmentos da sociedade falar e se colocar diante da arte. Quando o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) se manifesta pela retirada de uma obra da mostra, ele leva à sociedade na discussão artística. É interessante como a arte ainda é capaz de promover o debate acalorado sobre determinadas questões. Por outro lado, as polêmicas lançaram uma nuvem de opacidade sobre o resto da exposição. Muitas obras passaram despercebidas.”

2012
“Eu fui contratado para esta Bienal. A cada dois anos, a mostra contrata um novo curador. Houve alguns casos no passado em que a curadoria foi convidada a permanecer. Mas não é a intenção dessa organização. Nem é minha vontade fazer uma outra mostra desse porte por muitos e muitos anos. Prefiro focar em mostras menores. Para a instituição, é salutar ter um olhar diferente a cada dois anos.”

Veneza
“Eu e o Agnaldo Farias vamos agora trabalhar na representação brasileira na Bienal de Veneza do ano que vem. Convidamos Artur Barrio, português que mora no Brasil desde os 10 anos, a apresentar um trabalho novo na mostra. Desde meados dos anos 1990, o governo brasileiro delegou à Fundação Bienal de São Paulo a organização da representação brasileira dentro da Bienal de Veneza, a única do mundo que ainda tem representações por país. Em geral, as delegações elegiam dois artistas. Dessa vez, decidimos apresentar um apenas, para mostrá-lo de maneira mais potente, não acanhada. Barrio foi escolhido por ser reconhecidamente um grande artista brasileiro. Desde os anos 60 tem tido papel fundamental na arte mais experimental brasileira. E achamos que a Bienal de Veneza é uma plataforma importante para legitimar internacionalmente a sua trajetória.”

terça-feira, setembro 07, 2010

"SOU CONTRA O MODELO DE BIENAL"

Cildo Meireles em 06/09/2010
para Camila Molina - O Estado de SP
Foto: Ernesto Rodrigues/AE

"Sou contra o modelo de Bienal. Seria mais produtivo se você pegasse uma Bienal com 240 artistas e, em vez de mostrá-los em dois meses, fizesse um programa que se estendesse por dois anos. Acho que cada Bienal, também, já deveria começar anunciando o nome do próximo curador"


Cildo Meireles conversa com Camila Molina, O Estado de SP. Relata a sua perspectiva do que deveria ser uma Bienal e fala da retomada do projeto antigo e cria, para a 29ª Bienal, Abajur, obra crítica e de encantamento.


"Queria uma imagem que se aproximasse da perfeição", diz o artista Cildo Meireles entre fotografias de mares, céus, de um veleiro e gaivotas que estarão a girar na sua instalação inédita Abajur, criada para a 29ª Bienal de São Paulo. Depois de meses de conversas por telefone com o fotógrafo Renato Cury, que o ajuda na complexa construção dessa nova obra, Cildo veio do Rio a São Paulo encontrar seu colaborador e tratar dos últimos detalhes do trabalho que o público verá a partir do dia 25. Abajur é feito de três grandes cilindros de imagens idílicas em movimento cuja beleza depende da força humana, de pessoas que vão se revezar na tarefa de girar um dínamo que ativa seu sistema.

"São situações diversas de mar, uma espécie de ciclo com dia, tarde, noite; como se tivesse um navio passando", conta Cildo, que recebeu o Estado no ateliê de Cury, no Butantã. "Vamos estabelecer o movimento das imagens, sem ser um carrossel", continua ele, aos 62 anos, criador consagrado nacional e internacionalmente, que promove reflexão crítica unida de encantamento.

Abajur era seu "plano B" para a 29ª Bienal: quando convidado pelo curador-geral da mostra, Moacir dos Anjos, a ideia era apresentar a instalação Homeless Home (Casa Sem Casa), nunca feita no Brasil (trata-se de um banheiro, um quarto, uma sala e uma cozinha abrigados no cruzamento de duas avenidas). Pela complexidade burocrática e por uma questão de tempo, optou-se pela "segunda opção", obra pensada para grande exposição de Cildo, em 2012, na Fundação Serralves de Portugal (a instituição portuguesa está coproduzindo a peça). Na entrevista, o artista, que também vai exibir na Bienal o Projeto Cédula, da década de 1970, parte da série Inserções em Circuitos Ideológicos e fala sobre sua participação no evento.

Como nasceu o Abajur?

Acho que os primeiros rascunhos da obra são de 1995. Tinha pensado em fazer esse projeto quando me convidaram para a Bienal de Johannesburgo de 1997. Achei que tinha tudo a ver com a coisa da África/Brasil, mas na época acabei mudando e fiz o Marulho. Sabe esses abajures asiáticos que ficam movimentando? Basicamente, queria uma imagem que fosse bela. Que você só visse quando subisse ao convés de um navio, uma coisa ideal.

Como é a obra?

Os cilindros são feitos de material fotográfico transparente em que se imprimem as imagens de quatro elementos: mar, navio, aves e nuvens. É um dínamo, quer dizer, a luz e o próprio movimento são dados por trabalho humano. Serão quatro homens fazendo aquilo existir daquela maneira. É um pouco isso: causa e efeito, labor e capital. São dois espaços. Em cima, subindo uma escada, chega-se a um guarda-corpo de onde se vê os cilindros e, lá embaixo, o dínamo com os trabalhadores (é uma caixa construída com área de cerca de 70 m² e dois níveis). Do lado de fora, você só vai ver a imagem. E quando subir, o que a está movimentando.

Já pretendia exibir esse trabalho na Bienal?

Em setembro do ano passado, o Moacir (dos Anjos), me ligou. Uma coisa que me dá o maior medo é a superexposição. Disse a ele que um monte de artista jovem no Brasil tem trabalho estruturado. As instituições deveriam fazer isso (chamar os jovens), mas eles ficam voltando aos mesmos nomes. Ele insistiu e queria que eu fizesse uma obra que já fiz duas vezes, mas nunca vi (a Casa Sem Casa). Me balançou porque eu queria mesmo ver esse trabalho. Mas logo acertamos uma segunda opção que, no caso, era o Abajur.

Como a obra se insere na reflexão que a Bienal quer fazer sobre arte e política?

Tenho fugido ao longo dos anos 1990 e 2000 de exposições sobre arte e política, porque virou uma febre. Acho que os trabalhos políticos nunca foram a totalidade do que fiz. Tem o Tiradentes e Inserções que são mais explícitos, mas sempre estive tentando me livrar da armadilha do panfletário. Sempre tive questões formais, de linguagem mesmo. Mas o Abajur tem um viés político. Quase coloquei nele o título do poema de Castro Alves, Navio Negreiro. Queria algo que tivesse essa preocupação do belo no primeiro momento. Até você subir, que é quando você desmonta um sistema porque o dínamo é movido por força humana.

Em 2006, você não participou da 27ª Bienal em protesto à reeleição do ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira no conselho da fundação. Como vê a instituição?

Naquela Bienal eu ia fazer o Casa Sem Casa. Fiz o que muita gente estava pensando porque era um absurdo Cid Ferreira (preso por gestão fraudulenta do Banco Santos) aprovar as contas da Bienal de dentro da cadeia. Agora, sem nenhum tipo de nacionalismo, qualquer pessoa que faz um trabalho tem prazer de mostrá-lo em sua terra. Sou contra o modelo de Bienal. Seria mais produtivo se você pegasse uma Bienal com 240 artistas e, em vez de mostrá-los em dois meses, fizesse um programa que se estendesse por dois anos. Acho que cada Bienal, também, já deveria começar anunciando o nome do próximo curador.

sábado, agosto 07, 2010

Arte pós humanista - Uma cronica :: Adriano de Aquino

Genial esta cronica de Adriano de Aquino.
Qualquer semelhança seria mera coincidência?

Para Rá Antunes a palavra ateliê é apenas uma menção nostálgica e antiquada de um lugar mítico onde artistas da antiguidade pós moderna criavam e produziam obras de arte. Rá, é um expoente da primeira casta de artistas do pós humanismo. É um sujeito dinâmico e ultra-flexível, Suas “incisões estéticas” - referencias históricas e inscrições duchampianas já estão fora de moda - são "criadas" em diversos laboratórios espalhados nas centenas de bienais que ocorrem em todo o planeta . Mas, antes de falar das virtudes de Rá é adequado que eu os apresente seu principal teórico e articulador político. É bom que saibam de antemão que no pós humanismo não existe arte sem política pessoal. Dionísio Pepper é, nesse contexto, uma peça crucial das estratégias avançadas de Rá.

Mas, quem é Dionísio?

Uma biografia resumida, já que a militância artística de Dionísio é bastante breve e veloz, nos informa que ele foi formado em economia numa faculdade de Alagoas. Por força de sua simpatia e entrosamento com a alta sociedade local foi o único de sua turma a ser beneficiado com uma bolsa de estudos em Londres onde, durante um longo e penoso ano, freqüentou um curso de marketing financeiro num famoso MBA inglês. De volta ao Brasil se empregou num grande banco paulista.

Durante sua temporada londrina compactou seus desejos num formulário de objetivos precisos. Dependia da economia, mas, sua sensibilidade para arte também podia ser aplicada economicamente. Por que não? Perguntava-se. Hoje, qualquer um que some lé com cré pode se destacar no ambiente cultural.

-No conjunto de experts em arte no Brasil, eu sou um gênio!Especulava entusiasmado.

Como ninguém é de ferro, nas horas vagas Dionísio passeava nos museus ingleses. Numa dessas andanças, extasiado diante de uma obra de Damien Hirst, Dionísio esbarrou em Herbert Ward. Na troca de desculpas e gentilezas os dois terminaram sentados na cafeteria do museu trocando figurinhas. Após as apresentações de praxe Herbert foi direto ao ponto revelando que se colocara estrategicamente como um obstáculo entre Dionísio e a obra do mais famoso star da arte pós humana. Hesitante por alguns segundos, Ward acrescentou que fez isso porque ficara comovido com a entrega total de Dionísio à obra de Hirst e que isso o havia provocado intensamente. Emocionado, Dionísio esqueceu os compromissos da tarde e os dois saíram a passear pelas simpáticas ruas londrinas. Num ponto nostálgico de Carnaby Street, Ward confidenciou que essa tarde havia sido maravilhosa para ele. Disse baixinho que antes do encontro com Dionísio estava tenso e angustiado pois, por coincidência, nessa mesma tarde, a comissão do Royal Scholl of Art estava reunida para decidir entre três nomes, aquele que seria o curador da mais nova bienal do planeta- A Bienal do Cazaquistão.

Os dois se despediram na frente da entrada do metro, não sem antes Ward propor trocarem seus números de telefones.Na oportunidade insinuou que gostaria de comunicar a Dionísio a decisão do Real Conselho.

Ward se tornou curador. Logo se entende o que os dois comemoraram a luz de velas num restaurante próximo ao Royal Museum, local onde haviam se conhecido. Depois desse comovente jantar os dois passaram a dividir um único lençol e a comungarem a mesma profissão.

Desse entrosamento afetivo nasceu o Dionísio que conhecemos. Teórico, professor de arte, curador e consultor artístico de grandes empresas e coleções de arte brasileiras. Ainda que seu maior êxito editorial seja a enorme coleção de passaportes integralmente carimbados e com todas as folhas, frente e verso, esgotadas. Dionísio deu muitas entrevistas e publicou quatro livros sobre arte contemporânea. Todos, direta ou indiretamente, vinculados à obra de Rá. O texto mais notável de Dionísio teve o triunfante titulo: Das Glorias de ser curador de Bienal.

Nesse ínterim Rá dava murros em ponta de faca para vencer os contratempos e o fervor moral dos pós – pós - modernistas.

Suas experiências laboratoriais estavam travadas por falta de compreensão das autoridades e absoluto desinteresse do mercado de arte.

O problema com o mercado era facilmente resolvido já que Rá tinha uma malta de fiéis seguidores dentro da burocracia cultural Planaltina. Sempre que podiam o colocavam num projeto incentivado. O clube dos curadores sistematicamente o indicava para uma Bienal. Seja do Mercosul,Veneza ou Venezuela. Vai daí que Rá participava em media,num ano, de dezoito bienais mundo afora.Tudo devidamente subvencionado.

Não esqueçam que Rá já havia participado de duas quadrienais de Kassel. Sua ultima participação foi motivo da publicação de um caderno especial da Folha de São Paulo pleno de elogios. Até o ministro da cultura participou da iniciativa comprando uma página inteira do caderno para publicar um anuncio do governo.

Mas, mesmo esse sucesso todo não tranqüilizava Rá. Ele queria mais!Sabia que podia mais!

Suas pesquisas NeuroEstéticas estavam ocorrendo na clandestinidade. Isso o aborrecia terrivelmente.

Rá estava estafado, ansioso e revoltado. Uma editora especializada em arte pós humana estava insistindo há mais de um ano para que ele publicasse mais um livro de Obras Completas.

-Ora, já fiz nove livros de obras completas em 12 anos de carreira artística. O que esses caras querem de mim?Sugar meu sangue? Esbravejava pelos cantos do seu laboratório doméstico. Um apartamento no Leme totalmente decorado com suas incisões estéticas. Esse era seu refugio que, aliás, já tinha sido mostrado ao publico pela mídia quando de uma entrevista sobre seu sucesso internacional e suas idéias para a nova arte global.

-O que eu quero não me permitem fazer. Resmungava por entre tubos de ensaio,fios condutores,plasmas e cérebros humanos imersos em líquido colorido dentro de compartimentos vítreos.

-É o moralismo religioso dessa gente hipócrita!Dizia em tom baixo, quase inaudível.

-A reação dos marchands que investiram pesado na arte pós pós moderna é de um conservadorismo atroz e depravado. Coisa do passado remoto, ainda protegido pela fé duchampiana. Vocês não imaginam como esse troço atrapalha os avanços estéticos e atravanca minhas experiências! Confidenciou Rá a seus embasbacados admiradores mais íntimos.

Todavia, o providencial retorno de Dionísio ao Brasil salvou o futuro de interveniências antiquadas e improdutivas.

Vejam o que diz Rá sobre isso:

-Minha ultima IncisãoEstética proposta para a Bienal foi quase vetada porque um bando de petulantes resolveu impedir que Dionísio em co-curadoria com Hebert Ward mais aquela senhora de Kassel que não lembro o nome e o curador atual da Bienal do Cazaquistão;Severino Albuquerque Cavalcanti, tornassem o primeiro andar do pavilhão da Bienal de São Paulo um laboratório neuro-estetico a céu aberto, que dizer, não totalmente aberto, já que estaria protegido pela construção.

- Meu Deus, isso é pura ignorância! Protestou Mairá Deware, a mais famosa instaladora artística do pós humanismo.

-Cai de joelhos, em transe religioso, quando visitei esse ano sua exposição Caos Cibernético, no palácio do governo da Bahia. Disse Mairá.

-Meu Deus!Como não deixar o povo ver aquela maravilhosa fileira de homens e mulheres, com o tampo da cabeça decepado, porém, vivos, cérebro à mostra, sobre os quais você motivava impulsos elétricos estimulando as áreas do prazer e da dor? Gente imbecil, nem ao menos sabem que o cérebro não sente dor!

-Tive um ataque de nervos quando um artista provinciano que tem o nome de um centurião romano resolveu quebrar tudo e liberar os suportes, quer dizer, os corpos humanos. Pra mim, o cara quis fazer um “contra evento” e criar fama internacional nas suas costas! Concluiu Mairá.

-Deixa pra lá, são os ossos do oficio. Retrucou Rá

-É verdade!Complementou Ermenegildo Neto um artista sub-intelectualizado em voga no momento.

-É inesquecível!Aquelas fileiras humanas dispostas simetricamente. Para mim era uma critica contundente ao nazismo.Não via quem não quisesse ver,ou tivesse olhos pra ver.Me emocionei ainda mais com aquela tenda negra,misteriosa e impenetrável que com uma luz tênue a piscar aleatoriamente nos remetia aos mistérios da mente,quer dizer,do cérebro,ou melhor dos dois,né? Concluiu Ermenegildo.

Resumindo, as relações políticas de Dionísio, o apoio da mídia e do presidente da Bienal de São Paulo firmaram um pacto positivo protegendo com determinação e empenho a liberdade de expressão. Os artistas pós humanos são devedores do esforço e dedicação de poucos para o beneficio de muitos, mas,sobretudo, para o avanço da Arte.

sábado, julho 24, 2010

Finalmente, Pixo - com ch ou x - é ou não é arte?

Pelo Mapa das Artes - Celso Fioravante
Editorial

O discurso da curadoria sobre o "pixo" na 29ª do evento, em setembro, mudou um pouco depois que o assunto conseguiu sua capa na "Ilustrada" e algumas linhas críticas no editorial do Mapa das Artes de maio-junho. Em 15 de abril, o curador Moacir dos Anjos afirmou na "Ilustrada" que "pixo é política e é arte". Em 2 de junho, a mesma "Ilustrada" publicou declaração do curador Agnaldo Farias, em que ele disse "Achamos que o trabalho deles é político, mas não sabemos se é arte". De toda forma, a curadoria disse ainda que os pichadores não irão pichar nada na Bienal, mas serão apresentados em filmes, fotos e debates. Ah bom!

Eu continuo afirmando que picho (com ch ou x) é vandalismo, mas concordo totalmente com o editorialista da "Folha de S. Paulo" Fernando Barros e Silva, que em 19 de abril finalizou seu texto "O X da questão" com a frase "Os pichadores não precisam de Bienal, mas de família, escola e uma perspectiva de vida decente". Para quem não é assinante da Folha ou do UOL, o texto está reproduzido na seção Notícias do site Mapa das Artes.

O Mapa das Artes, aliás, chega agora à sua 50ª edição! Acredito que jamais na história desse país um veículo totalmente dedicado às artes plásticas tenha tido uma vida tão longa! Que continue assim, sempre cheio de informações e crítico às maracutaias e falcatruas que, vira e mexe, assombram o circuito e iluminam o submundo das artes neste país!

sexta-feira, julho 23, 2010

Mas quem é realmente o curador-geral da 29ª Bienal?

Pelo Mapa das Artes - Celso Fioravante
Seção: Supernova

Mas quem é realmente o curador-geral da 29ª Bienal? Em novembro último, Moacir dos Anjos foi apresentado em coletiva na Bienal de São Paulo como curador-chefe da 29ª edição. Agnaldo Farias não estava presente e sequer foi mencionado. Dois meses depois Agnaldo Farias já era citado como curador-adjunto... Há poucas semanas, passou também a ser chamado curador-geral... E em alguns releases do evento, Moacir dos Anjos sequer é mencionado! O editor do Mapa das Artes enviou um e-mail para Moacir dos Anjos pedindo esclarecimentos sobre o assunto e recebeu a resposta de que a assessoria de imprensa esclareceria as minhas dúvidas, mas até agora nada... O que será que o presidente da Fundação Bienal, Heitor Martins, achou dessa história de convidar um curador e receber dois no pacote?

- Curiosidade -
A lista de artistas brasileiros contemporâneos na 29ª Bienal traz apenas um artista da Região Norte (Guy Veloso), um do Centro-Oeste (Kboco) e um do Sul (Fernando Lindote). Em compensação, só da cidade do Recife, terra natal do curador Moacir dos Anjos, são quatro: Gil Vicente, Jonathas de Andrade, Marcelo Silveira e Paulo Bruscky...

segunda-feira, julho 19, 2010

A BIENAL DA POLITICA OBSCURA

Por Plínio Palhano - Artista Plástico e critico de arte

Toda Bienal, principalmente no Brasil, é polêmica, e, no mundo, existem mais de duas centenas delas. A anterior (2008), de São Paulo, foi chamada — como é do conhecimento público — a do Vazio, porque deixou um dos andares do edifício sem nenhuma utilidade. Esse andar foi preenchido pelos pichadores, que, dizem, serão representados este ano, na 29ª Bienal, em vídeos e fotos, num provável ato estratégico e preventivo com o fim, talvez, de domesticá-los e evitar que se atrevam a repetir a “transgressão”. Os curadores ainda têm o desplante de dizer que não sabem se o que os pichadores fazem é arte. Ora, se não sabem, para que servem esses vídeos e essas fotos?

Esta Bienal de 2010 é a da Política Obscura, porque, segundo o conceito dos atuais curadores, não se pode distanciar arte da política — isso dito sem maiores explicações. Mas a que política eles se referem? A dos conchavos? A das cartas marcadas? Diz-se que a permanência de políticas estranhas na Bienal é fato, sem nenhuma dúvida.

A unanimidade entre os pensadores e críticos das Bienais é que essas instituições estão em crise, falidas, nelas havendo pouquíssimas surpresas, principalmente no aspecto da concepção, mas, no Brasil, acrescentam-se as dívidas financeiras exorbitantes. E já que a curadoria fala da aproximação da arte com a política, seria fundamental dar outra dimensão ao evento, com uma verdadeira política, transparente e objetiva, sem as afirmações e os conceitos dúbios que geram apenas especulações e não atingem a finalidade de uma Bienal.

sexta-feira, julho 16, 2010

Apesar do tema da 29a. Bienal de São Paulo ser a política, seus organizadores saem pela tangente quando é hora de tomar posição

Por Marcelo Amaral Coelho. Da Via Arte.

200 obras, 148 artistas, sete curadores e um orçamento total de aproximadamente R$ 30 milhões. Esses são os números divulgados pela Fundação Bienal para a realização da Bienal de Arte de São Paulo 2010. O evento acontecerá entre 25 de setembro e 12 de dezembro no Parque do Ibirapuera.

Flertando com o poeta Jorge de Lima, autor de "há sempre um copo de mar para um homem navegar”, a Bienal 2010 vai buscar relações ou divergências entre arte e política. De acordo com Agnaldo Farias, um dos curadores-chefes, ao lado de Moacir dos Santos, a ideia é montar uma exposição que não fosse meramente contemplativa e que tentasse recuperar o debate e a celebração do encontro entre a arte e a política”.

A Bienal passada, como bem ao gosto de muitos da área, marcou pela polêmica do segundo andar vazio e a ação coordenada dos pichadores em vandalizá-lo. A ação terminou com a prisão de uma menina. Alguns enxergaram em tal atitude resquícios de arte; outros, viram apenas um ato de desordem. Aliás, seja qual fosse aquela motivação, o acontecimento rendeu: no evento deste ano os pichadores terão um espaço para exibir fotos e vídeos sobre suas obras. Parece que deu certo!

Apesar do tema ser a política, seus organizadores saem pela tangente quando é hora de tomar posição. Sobre os pichadores, o curador Moacir dos Santos se esquiva: "Não sabemos dizer se o que eles fazem é arte ou não". A Bienal é de arte ou não? A ambiguidade contemporânea aparece em outra afirmação de Moacir dos Santos: "Tomar partido explicitamente não é a nossa missão".

É aguardar para ver. Por enquanto, a considerar o que disse acima o curador Moacir dos Santos, constata-se que o vazio da Bienal passada preencheu o pensamento crítico dos organizadores da edição 2010.

Fonte: Bienal de São Paulo terá em 2010 encontro da arte e política como tema. Disponível em g1.globo.com, consultado em 28/06/2010.

COITO INTERROMPIDO - A BIENAL QUE NÃO HOUVE

Por: Octaviano Moniz

Fui somente numa Bienal de São Paulo.Não lembro o numero mas foi em 1987. Estava casado com uma modelo e louco para conhecer esta mega mostra brasileira. São Paulo me impressionou, tudo muito longe, e de carro, que saco! Tinha passado muitos anos em Londres mas "the tube" resolvia tudo rapidinho, até ir para o East End. Mas Washington Luis, nosso presidente, descobriu que governar era abrir estradas e deu nisso: algo indefinível. O Brasil é uma Transamazônica gigante. Agora teremos uma nova obra de arte: o trem-bala. R$50 bilhões, claro, 60% financiado com nosso dinheiro. Será que estas mega-empresas encontram esta mamata artística lá fora? Outro monumento artístico do nosso palhaço mor vai ser a Usina de Belo Monte, alagaremos 500 Km2 da Amazônia e nós financiaremos 80% da obra. Que escultura. Nem adianta dizer quanto vai custar pois tem uma palavra mágica chamada aditamento que faz 3 virar 7 em meio segundo. Breve chegaremos ao Bóson de Higgens antes do CERN na Suiça.
Mas voltando a minha visita a esta arte menor, o prédio é gigantesco e como misturam cachaça com vodka, margherita, conhaque para não tomar um porre sugiro 5 visitas. É colossal demais, não sentimos aquela intimidade com a obra, a fruição solitária de uma peça, quando menos se espera meninos passam em sua frente gritando que um é Hee Man o outro algum avatar japonês, a mãe enlouquecida atrás e a concentração já foi para o espaço. E nosso programa espacial vai uma lastima, da ultima vez acabou em explosão. Devido ao tamanho, a quantidade de visitantes, variedade de linguagens e escolas (se isso ainda existe) é uma experiência traumática, que você tem que fazer as pressas para poder concluir. Um coito interrompido. O melhor local para apreciar a mostra é em casa, sorvendo um chá de darjeeling e usufruindo o catalogo em silêncio e completa concentração. Este mega modelo para mim é caduco e só comparável a visita de uma perua-dondoca ao shoppinhg center. Em busca do não ser.

quinta-feira, julho 15, 2010

CARTA MANIFESTO

MITOS VADIOS 2

CARTA MANIFESTO


Para todos os artistas de todos os estilos e tendências das artes visuais

Está aberta a convocação!

Todos os artistas estão convocados para se manifestar em frente à Bienal de 2010, que acontecerá em São Paulo, em 21 de setembro, às 17h.

Será a BIENAL ALTERNATIVA 2010


Depois da última Bienal, em 2008, pedimos uma real e profunda reflexão, pois nela não vimos Arte em suas várias representações.

Para este ano de 2010, já se desenha uma Bienal confusa, com declarações sem conceito definido: arte política, terreiro, posições desencontradas, explicações que mudam a cada dia, parecendo visar apenas agra

dar à mídia, sem uma verdadeira preocupação com a Arte, sem pesquisa sólida ou escolha fundamentada.

Já se faz notar que a Bienal maquiará uma feira, alternando interesses de mercado e grupos de amigos, em acordos previamente acertados, sem nenhuma lógica ou justificativa.

Nenhuma pesquisa – ou conselho – para a formação do grupo curatorial, exemplo da Bienal de Walter Zanini, Sheila Leiner (a grande parede) ou ainda Roberto Muylaert (que gerou tr

adição e Ruptura).

A chamada de ordem do poder grita mais alto e não é, necessariamente, a real expressão da arte.

Arte política se faz por simbolismos, denunciando poderes autoritários ou regimes de repressão.

Daí a ideia de fazer política democrática organizando uma manifestação para que todos os artistas possam levar sua mensagem através de uma obra, de qualquer estilo ou forma, para fazermos um grande cordão em volta do prédio da Bienal, fazendo mostrar que não se conhecem a produção real da arte.

Depois da crise, o mercado tenta novamente estender seu domínio, mas devemos ter uma posição firme, clara, para um melhor e mais promissor mundo da arte, promovendo uma ação e reflexão, para alimentar co

m consistência a nossa cultura.

Será esta a possibilidade de mostrarmos o que verdadeiramente se produz atualmente.