sábado, setembro 11, 2010

BIENAL DE SÃO PAULO: UM MORTO BARULHENTO

Por Adriano de Aquino
Reedição ampliada do texto: BIenal de São Paulo - Um morto barulhento - de 04/10/2006/HiperBlog

Nunca um texto de 4 anos atrás enquadra-se tão bem à realidade atual. Adriano de Aquino brilhantemente relata o definhamento das Bienais ao longo dos últimos 20 anos. Quando muito, elas provocam uma sensação frustrada de Déjà vu. Tentar inovar sem considerar as mudanças sociais e tecnológicas, que também afetam o cenário artístico, é no mínimo uma infantilidade. As razões muitas vezes apresentadas seriam exatamente aquelas que justificariam a busca de um novo formato. No entanto, sabemos que as verdadeiras razões é, de fato, o continuísmo do uso da instituição por grupos que insistem em manipular o mercado em benefício próprio. (FFA)

Controvérsias reaparecem a cada nova edição da Bienal São Paulo. Elas se originam do esgotamento das formas de amostragem de arte, conceituação e modelo de gestão dos grandes eventos. Muitos afirmam que as mega-exposições há muito deixaram de ser um elo ativo entre a pluralidade das experiências estéticas e o publico. Essas opiniões coincidem com os protestos de vários grupos contra a investida mercantil sobre os produtos artísticos, associados a esse tipo de evento.

Críticos das feiras de arte e das grandes mostras internacionais focam suas ofensivas sobre os métodos do marketing cultural que enfiou turismo, antropologia, divertimento, arte e cultura num mesmo saco, melhor dizendo, num mesmo ambiente refrigerado e lacrado contra ruídos da cultura contemporânea que acontecem do lado de fora.

As grandes mostras tornaram-se paquidermes em processo de desintegração. Os curadores investem sobre o que resta de orgânico num material em decomposição.

As sucessivas mudanças artísticas, provenientes, entre outras coisas, da dinâmica da era dos meios eletrônicos, expandiram consideravelmente as formas de expressão. Qualquer pessoa minimamente informada sabe que a variedade de informações hoje disponibilizadas, produziu um enorme impacto na vida social. Acreditar que a criação artística ficou imune, protegida no casulo da genialidade criativa é tolice. Para quem enxerga para além da propaganda o que se evidencia na manutenção do velho sistema é uma estratégia que beneficia grupos de interesses mercantis e econômicos.

Porém, os curadores não vêem isso e se prontificam a salvar os restos mortais da instituição reabilitando-a como uma espécie de zumbi transglobal.

Será que acreditam poder voltar no tempo e nos surpreender, reeditando as polêmicas bienais dos anos 60 e 80?

A Bienal de Veneza de 1980, que serviu de vitrine à versão de Charles Jencks para o pós-modernismo, decretou o fim desse modelo de exposição. Essa Bienal foi o último elo de ligação efetivo das grandes mostras com as questões mais radicais da arte e que teve como resposta o entusiasmo do público.

Como esse fato histórico não é uma advertência contra a mesmice, o publico é coagido a assistir as repetições infindáveis do mesmo show, com pequenos cortes particulares. Lamentavelmente, mais medíocres.

Os cientistas, em coro com alguns artistas, acham melhor isso do que nada.

Francamente, sem querer estragar a festança nem sujar a vitrine, prefiro o nada. É mais estimulante.

Se o sopro criativo dos curadores, ou melhor, dos atuais “cientistas da criatividade” conseguisse superar os feitos do passado marcando uma diferença crucial com o sistema de arte dominante eu não seria tão incrédulo. Porém, não é o que vemos. As grandes mostras de arte da atualidade são como rituais arcaicos que orbitavam em torno dos curandeiros. Os cientistas da criatividade são hoje cultuados e temidos como os curandeiros do passado remoto. Essa nova espécie de “meteur em scene” vem perturbando o sono de muitos artistas. De um tempo para cá o mundo das artes foi envolvido numa atmosfera artificial carregada de ansiedade.

Motivos não faltam.

O mais significativo tem origem nas vertentes da vanguarda contemporânea que, ao contrario da vanguarda histórica, derreteu o outsider no insider.

As obras que não se encaixam no esquema em voga não são nem outsider nem insider, portanto, não merecem atenção dos cientistas da criatividade.

Eles não almejam apenas organizar uma mostra de arte, pretendem, isso sim, precipitar-se à história.

As atitudes artísticas que antecederam os últimos trinta anos, marcadas pela transitoriedade, romperam barreiras e descortinaram conceitos, trazendo à tona novas formas de expressão. Uma enorme variedade de estilos coincidiu com a atração generalizada pelo efêmero, despindo as obras de arte das características outrora reconhecíveis como “arte burguesa”.

Porém, tais atitudes resultaram num paradoxo que parece não preocupar alguns artistas e gestores das instituições culturais. Dentre as inúmeras questões a mais aparente é a consolidação de um estilo mundial de arte inscrito nas performances, instalações, intervenções coletivas, grafites, pichações e outros gestos identificados como formas de arte mais representativas da atualidade.

Ocorre, entretanto, que tais gestos já duram mais de vinte anos, ou seja, se projetam acima da média de vida de quase todo estilo internacional de arte. A história é farta em exemplos que nos confirmam que a longa permanência de um modo de arte conduz ao esgotamento levando grande parte da produção a procedimentos quase mecânicos e a ostensiva banalidade. É inconcebível, mesmo para um leigo, que artistas, diretores e curadores desconheçam o calendário das correntes estéticas da segunda metade do século XX, quando a Bienal de São Paulo passou a existir.

Uma rápida olhada sobre a descontinuidade de estilos pode esclarecer muita coisa. A pop art que surgiu na Inglaterra de meados dos anos 50 realizou todo o seu potencial na Nova York dos anos 60. O expressionismo abstrato dominou as décadas de 1940 e 1950. O minimalismo desenvolveu-se durante os anos 50/60 etc.

É, portanto, no mínimo curioso que as diversas variantes da produção artística atual, ligadas às referencias artísticas que antecedem os anos 80, sejam tão longevas.

Além disso, a relutância da Bienal de São Paulo em permanecer surda às criticas contra a idéia de reunir obras de arte em torno de um tema (2010- Arte Política –por exemplo) é uma teimosia típica das dinastias do passado. Na edição 2006, a falta de inspiração da cientista da criatividade responsável pela organização da Bienal, a levou a se apropriar de um “mote” de outros campos do saber para conferir substancia a sua proposta de vinculação da arte a teses de antropologia cultural. Foi nesse nicho que a cientista da criatividade escolheu o titulo Como Viver Junto, inspirado nos seminários de Roland Barthes no Collège de France realizados em 1976-77. O que essa escolha nos revela? Dentre os muitos tropeços, a falta de parâmetros apropriados ao tempo presente e uma enorme incompetência frente à diversidade da produção artística da atualidade. Reflexos objetivos dessa política podem ser vistos na perda da visibilidade pública das expressões estéticas comprometidas com a tecelagem de tramas simbólicas, ou seja, narrativas. Em resumo, na sua extensão mais objetiva essa política impõe uma visão “única” da arte da atualidade.

Atitude velha e comum ao autoritarismo. Seja em São Paulo, Kassel, Lisboa, Madri, Istambul ou Turquistão Oriental.

sexta-feira, setembro 10, 2010

ARTE E LITERATURA, REGISTRO E EMBATE

Por Rita Alves - Historiadora, Crítica Literária, poeta. Gestora de Patrimônio Histórico e Cultural, colabora com a família Orlando Villas Bôas na preservação do acervo do indigenista.

"...o formato BIENAL já nasce ultrapassado por si mesmo. Sob a égide de um tema limitador, inibe expressões espontâneas, colocando limites autoritários e mercadológicos. É preciso dar espaço para as várias manifestações, expressões dos mais variados tipos de arte, representações diversas..."

As primeiras relações entre as duas formas de expressão aparecem nas ilustrações feitas em obras literárias no século XIX, quando surgiram os ilustradores de obras clássicas como A Divina Comédia, Don Quixote ou as Fábulas de La Fontaine. Gustave Doré figura como principal referência. Não alterou a função da obra, elucidou imagens presentes no corpo da literatura, nos moldes dos significados que a época histórica permitiu. Salvador Dalí ilustrou o mesmo romance quixotesco e, através da visão surreal e do pensamento fragmentário que permeou a virada do século, registrou as mudanças na forma de construir – desconstruir – o pensamento. Quixote se atualiza pelas mãos da arte, reveste-se de subjetivismo, tal qual a época anunciada por Dalí em sua criação.

Antonio Henrique Amaral, mais recentemente, compõe o livro “Resmungos”, de Ferreira Gullar, dando ao livro não apenas imagens deslocadas do contexto, mas serão as ilustrações quem darão o ritmo ao conjunto de crônicas do poeta. O ilustrador se vale de mais de uma forma técnica – aquarela, xilogravura, acrílico, colagens – para colidir propositadamente com os resmungos de Ferreira Gullar.

Um diálogo imbricado, necessário, no qual a língua estanca frente ao universo criador do artista e no qual a arte se estabelece como extensão da palavra.

Antero de Quental, em 1865, para falar em nossa língua, produz um dos mais importantes documentos que pede definitivamente a quebra da estética conservadora da literatura, através da carta panfletária “Bom Senso e Bom Gosto”, chamada de Questão Coimbrã, em resposta a Castilho, que criticava o novo caminho modernista dos poetas portugueses, segundo Antero uma crítica "à independência irreverente de escritores que entendem fazer por si o seu caminho, sem pedirem licença aos mestres, mas consultando só o seu trabalho e a sua consciência". Neste grupo modernista esteve Almada Negreiros, rompendo as formas estéticas da pintura realista, criador das antológicas capas da revista Orpheu, que alardeiria em apenas duas edições de pouco mais de 400 exemplares, o modernismo em nossa língua portuguesa e protagonista da primeira ‘performance’ de que se tem notícia, vestido de operário para se apresentar numa conferência.

Aqui no Brasil este trabalho ficou por conta da turma do Mário de Andrade, Bandeira e Oswald, unidos em causa – e efeito – aos artistas plásticos e músicos de sua geração. Todos contra os ‘sapos parnasianos’...

Mais recentemente Haroldo de Campos, Décio Pignatari e ainda Arnaldo Antunes têm construído essa trama complexa de unir imagem e palavra em forma de poema. Relacionando o sentido e a forma para ampliar o movimento do olhar, expandindo a possibilidade de devaneio do leitor/expectador.

A poesia tem se convertido em objeto estético. Para o poema o suporte já não precisa mais ser a página de um livro. Para Octávio paz, “A poesia concreta é uma vanguarda no sentido de arte que busca a ruptura”, mesmo movimento que se manifesta as artes plásticas por volta dos anos 50/60.

Atualmente não é possível definir a expressão poética por meio de um único estilo ou formato. Cabe tudo, todas as maneiras, como já prenunciava um dos precursores do modernismo português, Fernando Pessoa, pela voz de Álvaro de Campos; “Sentir tudo de todas as maneiras”.

O concretismo não está superado, estabeleceu-se como um dos estilos de expressão poética, assim como a arte de vanguarda. Cultura é processo constante, indefinidamente alimentada por ações individuais ou coletivas, mas especialmente por aquelas que provocam rupturas em moldes ultrapassados, atos que em si já contém a fórmula do novo. Sem conceitos pre estabelecidos.

Por este motivo o formato BIENAL já nasce ultrapassado por si mesmo. Sob a égide de um tema limitador, inibe expressões espontâneas, colocando limites autoritários e mercadológicos. É preciso dar espaço para as várias manifestações, expressões dos mais variados tipos de arte, representações diversas, como é diverso o ambiente criador brasileiro, sem anunciados preconceitos, como no caso da arte de rua, agregada posterior e contraditoriamente a atitude excludente inicial. É historicamente comprovado que a arte ao ser excluida se fortalece, por isso, é uma atitude absolutamente inocua a de colocar a margem segmentos significativos da expressão artística.

Mitos Vadios, segunda edição de uma manifestação idealizada por Ivald Granato, alarga o conceito de modelos pre estabelecidos, ganha importância na medida em que não propõe formatos, ganhando características próprias exatamente no processo de sua feitura, agregando ideias, permitindo quaisquer tipos de criação artística – performance, teatro, dança, poesia, artes plásticas - objetiva ou subjetiva, tornando-se assim, a própria manifestação, um objeto de arte – articulada coletivamente.

terça-feira, setembro 07, 2010

"SOU CONTRA O MODELO DE BIENAL"

Cildo Meireles em 06/09/2010
para Camila Molina - O Estado de SP
Foto: Ernesto Rodrigues/AE

"Sou contra o modelo de Bienal. Seria mais produtivo se você pegasse uma Bienal com 240 artistas e, em vez de mostrá-los em dois meses, fizesse um programa que se estendesse por dois anos. Acho que cada Bienal, também, já deveria começar anunciando o nome do próximo curador"


Cildo Meireles conversa com Camila Molina, O Estado de SP. Relata a sua perspectiva do que deveria ser uma Bienal e fala da retomada do projeto antigo e cria, para a 29ª Bienal, Abajur, obra crítica e de encantamento.


"Queria uma imagem que se aproximasse da perfeição", diz o artista Cildo Meireles entre fotografias de mares, céus, de um veleiro e gaivotas que estarão a girar na sua instalação inédita Abajur, criada para a 29ª Bienal de São Paulo. Depois de meses de conversas por telefone com o fotógrafo Renato Cury, que o ajuda na complexa construção dessa nova obra, Cildo veio do Rio a São Paulo encontrar seu colaborador e tratar dos últimos detalhes do trabalho que o público verá a partir do dia 25. Abajur é feito de três grandes cilindros de imagens idílicas em movimento cuja beleza depende da força humana, de pessoas que vão se revezar na tarefa de girar um dínamo que ativa seu sistema.

"São situações diversas de mar, uma espécie de ciclo com dia, tarde, noite; como se tivesse um navio passando", conta Cildo, que recebeu o Estado no ateliê de Cury, no Butantã. "Vamos estabelecer o movimento das imagens, sem ser um carrossel", continua ele, aos 62 anos, criador consagrado nacional e internacionalmente, que promove reflexão crítica unida de encantamento.

Abajur era seu "plano B" para a 29ª Bienal: quando convidado pelo curador-geral da mostra, Moacir dos Anjos, a ideia era apresentar a instalação Homeless Home (Casa Sem Casa), nunca feita no Brasil (trata-se de um banheiro, um quarto, uma sala e uma cozinha abrigados no cruzamento de duas avenidas). Pela complexidade burocrática e por uma questão de tempo, optou-se pela "segunda opção", obra pensada para grande exposição de Cildo, em 2012, na Fundação Serralves de Portugal (a instituição portuguesa está coproduzindo a peça). Na entrevista, o artista, que também vai exibir na Bienal o Projeto Cédula, da década de 1970, parte da série Inserções em Circuitos Ideológicos e fala sobre sua participação no evento.

Como nasceu o Abajur?

Acho que os primeiros rascunhos da obra são de 1995. Tinha pensado em fazer esse projeto quando me convidaram para a Bienal de Johannesburgo de 1997. Achei que tinha tudo a ver com a coisa da África/Brasil, mas na época acabei mudando e fiz o Marulho. Sabe esses abajures asiáticos que ficam movimentando? Basicamente, queria uma imagem que fosse bela. Que você só visse quando subisse ao convés de um navio, uma coisa ideal.

Como é a obra?

Os cilindros são feitos de material fotográfico transparente em que se imprimem as imagens de quatro elementos: mar, navio, aves e nuvens. É um dínamo, quer dizer, a luz e o próprio movimento são dados por trabalho humano. Serão quatro homens fazendo aquilo existir daquela maneira. É um pouco isso: causa e efeito, labor e capital. São dois espaços. Em cima, subindo uma escada, chega-se a um guarda-corpo de onde se vê os cilindros e, lá embaixo, o dínamo com os trabalhadores (é uma caixa construída com área de cerca de 70 m² e dois níveis). Do lado de fora, você só vai ver a imagem. E quando subir, o que a está movimentando.

Já pretendia exibir esse trabalho na Bienal?

Em setembro do ano passado, o Moacir (dos Anjos), me ligou. Uma coisa que me dá o maior medo é a superexposição. Disse a ele que um monte de artista jovem no Brasil tem trabalho estruturado. As instituições deveriam fazer isso (chamar os jovens), mas eles ficam voltando aos mesmos nomes. Ele insistiu e queria que eu fizesse uma obra que já fiz duas vezes, mas nunca vi (a Casa Sem Casa). Me balançou porque eu queria mesmo ver esse trabalho. Mas logo acertamos uma segunda opção que, no caso, era o Abajur.

Como a obra se insere na reflexão que a Bienal quer fazer sobre arte e política?

Tenho fugido ao longo dos anos 1990 e 2000 de exposições sobre arte e política, porque virou uma febre. Acho que os trabalhos políticos nunca foram a totalidade do que fiz. Tem o Tiradentes e Inserções que são mais explícitos, mas sempre estive tentando me livrar da armadilha do panfletário. Sempre tive questões formais, de linguagem mesmo. Mas o Abajur tem um viés político. Quase coloquei nele o título do poema de Castro Alves, Navio Negreiro. Queria algo que tivesse essa preocupação do belo no primeiro momento. Até você subir, que é quando você desmonta um sistema porque o dínamo é movido por força humana.

Em 2006, você não participou da 27ª Bienal em protesto à reeleição do ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira no conselho da fundação. Como vê a instituição?

Naquela Bienal eu ia fazer o Casa Sem Casa. Fiz o que muita gente estava pensando porque era um absurdo Cid Ferreira (preso por gestão fraudulenta do Banco Santos) aprovar as contas da Bienal de dentro da cadeia. Agora, sem nenhum tipo de nacionalismo, qualquer pessoa que faz um trabalho tem prazer de mostrá-lo em sua terra. Sou contra o modelo de Bienal. Seria mais produtivo se você pegasse uma Bienal com 240 artistas e, em vez de mostrá-los em dois meses, fizesse um programa que se estendesse por dois anos. Acho que cada Bienal, também, já deveria começar anunciando o nome do próximo curador.

domingo, agosto 29, 2010

Bienal de Artes de SP - Alternativa 2010

FOLHA DE SP :: 29.08.2010
Por Ivald Granato
A
rtista plástico e performático
Presidente da ONG G11 - Associação para o Desenvolvimento da Arte e Cultura.

Para este ano de 2010, já se desenha uma Bienal confusa, sem verdadeira preocupação com a arte, sem pesquisa sólida ou escolha fundamentada.
Depois da última Bienal de São Paulo, em 2008, pedimos uma real e profunda reflexão, pois nela não vimos arte em suas várias representações. Ficou, literalmente, um vazio depois de milhões de reais investidos no vazio.
Para este ano de 2010, já se desenha uma Bienal confusa, com declarações sem conceito definido: arte política, terreiro, posições desencontradas, explicações que mudam a cada dia, parecendo visar apenas agradar à mídia, sem uma verdadeira preocupação com a arte, sem pesquisa sólida ou escolha fundamentada.

Depois da crise, o mercado tenta novamente estender seu domínio, mas devemos ter posição firme, clara, para um melhor e mais promissor mundo da arte, promovendo ação e reflexão para alimentar com consistência a nossa cultura.
Já se faz notar que a Bienal maquiará uma feira, alternando interesses de mercado e grupos de amigos, em acordos previamente acertados, sem nenhuma lógica ou justificativa conceitual em benefício do desenvolvimento da arte.
Nenhuma pesquisa - ou conselho- para a formação do grupo curatorial, ignorando o exemplo da Bienal de Walter Zanini, Sheila Leiner (a grande parede) ou ainda de Roberto Muylaert (que gerou tradição e ruptura).

A chamada de ordem do poder econômico grita mais alto e não é, necessariamente, a real expressão da arte. Arte política se faz por simbolismos, denunciando poderes autoritários ou regimes de repressão, sejam eles políticos, religiosos ou sectários.
Daí a ideia de fazer política democrática organizando uma manifestação para que todos os artistas possam levar sua mensagem por meio de uma obra, de qualquer estilo ou forma, para fazermos um grande cordão em volta do prédio da Bienal, fazendo mostrar que não conhecem a produção real da arte.
Será esta a possibilidade de mostrarmos o que verdadeiramente se produz atualmente.

Proponho, logo após o cordão, fazermos uma grande montanha de obras, e vamos descobrir qual será o seu destino, mostrando claramente as parcerias disfarçadas de conceitos contemporâneos de destino certo: o mercado especulativo, que prevê retorno do investimento, a bolha (ilusória) da arte.
Pelo muito que já foi divulgado na mídia e em redes sociais da internet, a 29ª Bienal será um "make-up" (influência da São Paulo Fashion Week?), uma feira com interesses de grupos que faturam no mercado de arte e artistas partícipes destes acordos "the dark side of the moon" da Bienal. "Sorry", Pink Floyd, pela lista dos "Deuses do Olimpo".
E o público? Ninguém pensou na importantíssima função socioeducativa para as massas? Nós pensamos e vamos fazer a Bienal de todos.
Compareçam com uma obra de qualquer formato ou estilo.
Vamos criar uma bienal democrática e não oficial, como nunca foi visto; vamos ativar o circuito artístico e mostrar que Bienal política tem que ser democrática.

MITOS VADIOS 2 :: ALTERNATIVA 2010
Manifestação Pacífica em nome da Democratização da Arte
21 de Setembro de 2010 às 17:00h
Parque Ibirabuera :: Portão 3 :: No calçadão em frente ao Prédio da Bienal
São Paulo - São Paulo -Brasil