sábado, julho 17, 2010

A ARTE NÃO É INSTRUMENTO DE AGENDAS PESSOAIS OU COLETIVAS

Por Francisco Cribari: Economista e
Colecionador de Artes

Entendo que a ânsia de projetar uma imagem ou fantasia vanguardista, no Brasil e alhures, pode ser detrimental às artes plásticas. Mais: em geral o é. No momento em que se aceita que tudo é arte passa-se a aceitar, por corolário, que nada é arte. O compromisso primeiro da arte é -- e deve ser -- com a arte em si, ou seja, com o conteúdo artístico que projeta, com a estética que a define e -- importante -- a delineia e a delimita.

Arte sem limites não é arte; arte sem fronteiras não é arte. Em seu livro "What is Art?" o renomado escritor russo Leo Tolstoy nos brinda com a seguinte definição: "Art is that human activity which consists in one man's consciously conveying to others, by certain external signs, the feelings he has experienced, and in others being infected by those feelings and also experiencing them." A palavra operacional aqui é "feelings" (sentimentos).

Uma obra de arte é fundamentalmente uma projeção de sentimentos íntimos, conscientes ou não. A arte não é instrumento de agendas pessoais ou coletivas. Não pode vir a reboque de interesses. Ao permitir que ela seja usada como espada de alguma agenda, mesmo que sob mantos auto-adjetivados de varguardistas, comete-se o maior de todos os crimes: a eutanásia da arte. Esse é, em última instância, o preço a ser pago pela ausência de espinha por parte de muitos na defesa da fronteira artística. Arte que não tem fronteiras não é arte; é nada, é vácuo.

É assim que eu vejo.

É assim que eu entendo.

sexta-feira, julho 16, 2010

Apesar do tema da 29a. Bienal de São Paulo ser a política, seus organizadores saem pela tangente quando é hora de tomar posição

Por Marcelo Amaral Coelho. Da Via Arte.

200 obras, 148 artistas, sete curadores e um orçamento total de aproximadamente R$ 30 milhões. Esses são os números divulgados pela Fundação Bienal para a realização da Bienal de Arte de São Paulo 2010. O evento acontecerá entre 25 de setembro e 12 de dezembro no Parque do Ibirapuera.

Flertando com o poeta Jorge de Lima, autor de "há sempre um copo de mar para um homem navegar”, a Bienal 2010 vai buscar relações ou divergências entre arte e política. De acordo com Agnaldo Farias, um dos curadores-chefes, ao lado de Moacir dos Santos, a ideia é montar uma exposição que não fosse meramente contemplativa e que tentasse recuperar o debate e a celebração do encontro entre a arte e a política”.

A Bienal passada, como bem ao gosto de muitos da área, marcou pela polêmica do segundo andar vazio e a ação coordenada dos pichadores em vandalizá-lo. A ação terminou com a prisão de uma menina. Alguns enxergaram em tal atitude resquícios de arte; outros, viram apenas um ato de desordem. Aliás, seja qual fosse aquela motivação, o acontecimento rendeu: no evento deste ano os pichadores terão um espaço para exibir fotos e vídeos sobre suas obras. Parece que deu certo!

Apesar do tema ser a política, seus organizadores saem pela tangente quando é hora de tomar posição. Sobre os pichadores, o curador Moacir dos Santos se esquiva: "Não sabemos dizer se o que eles fazem é arte ou não". A Bienal é de arte ou não? A ambiguidade contemporânea aparece em outra afirmação de Moacir dos Santos: "Tomar partido explicitamente não é a nossa missão".

É aguardar para ver. Por enquanto, a considerar o que disse acima o curador Moacir dos Santos, constata-se que o vazio da Bienal passada preencheu o pensamento crítico dos organizadores da edição 2010.

Fonte: Bienal de São Paulo terá em 2010 encontro da arte e política como tema. Disponível em g1.globo.com, consultado em 28/06/2010.

COITO INTERROMPIDO - A BIENAL QUE NÃO HOUVE

Por: Octaviano Moniz

Fui somente numa Bienal de São Paulo.Não lembro o numero mas foi em 1987. Estava casado com uma modelo e louco para conhecer esta mega mostra brasileira. São Paulo me impressionou, tudo muito longe, e de carro, que saco! Tinha passado muitos anos em Londres mas "the tube" resolvia tudo rapidinho, até ir para o East End. Mas Washington Luis, nosso presidente, descobriu que governar era abrir estradas e deu nisso: algo indefinível. O Brasil é uma Transamazônica gigante. Agora teremos uma nova obra de arte: o trem-bala. R$50 bilhões, claro, 60% financiado com nosso dinheiro. Será que estas mega-empresas encontram esta mamata artística lá fora? Outro monumento artístico do nosso palhaço mor vai ser a Usina de Belo Monte, alagaremos 500 Km2 da Amazônia e nós financiaremos 80% da obra. Que escultura. Nem adianta dizer quanto vai custar pois tem uma palavra mágica chamada aditamento que faz 3 virar 7 em meio segundo. Breve chegaremos ao Bóson de Higgens antes do CERN na Suiça.
Mas voltando a minha visita a esta arte menor, o prédio é gigantesco e como misturam cachaça com vodka, margherita, conhaque para não tomar um porre sugiro 5 visitas. É colossal demais, não sentimos aquela intimidade com a obra, a fruição solitária de uma peça, quando menos se espera meninos passam em sua frente gritando que um é Hee Man o outro algum avatar japonês, a mãe enlouquecida atrás e a concentração já foi para o espaço. E nosso programa espacial vai uma lastima, da ultima vez acabou em explosão. Devido ao tamanho, a quantidade de visitantes, variedade de linguagens e escolas (se isso ainda existe) é uma experiência traumática, que você tem que fazer as pressas para poder concluir. Um coito interrompido. O melhor local para apreciar a mostra é em casa, sorvendo um chá de darjeeling e usufruindo o catalogo em silêncio e completa concentração. Este mega modelo para mim é caduco e só comparável a visita de uma perua-dondoca ao shoppinhg center. Em busca do não ser.

quinta-feira, julho 15, 2010

CARTA MANIFESTO

MITOS VADIOS 2

CARTA MANIFESTO


Para todos os artistas de todos os estilos e tendências das artes visuais

Está aberta a convocação!

Todos os artistas estão convocados para se manifestar em frente à Bienal de 2010, que acontecerá em São Paulo, em 21 de setembro, às 17h.

Será a BIENAL ALTERNATIVA 2010


Depois da última Bienal, em 2008, pedimos uma real e profunda reflexão, pois nela não vimos Arte em suas várias representações.

Para este ano de 2010, já se desenha uma Bienal confusa, com declarações sem conceito definido: arte política, terreiro, posições desencontradas, explicações que mudam a cada dia, parecendo visar apenas agra

dar à mídia, sem uma verdadeira preocupação com a Arte, sem pesquisa sólida ou escolha fundamentada.

Já se faz notar que a Bienal maquiará uma feira, alternando interesses de mercado e grupos de amigos, em acordos previamente acertados, sem nenhuma lógica ou justificativa.

Nenhuma pesquisa – ou conselho – para a formação do grupo curatorial, exemplo da Bienal de Walter Zanini, Sheila Leiner (a grande parede) ou ainda Roberto Muylaert (que gerou tr

adição e Ruptura).

A chamada de ordem do poder grita mais alto e não é, necessariamente, a real expressão da arte.

Arte política se faz por simbolismos, denunciando poderes autoritários ou regimes de repressão.

Daí a ideia de fazer política democrática organizando uma manifestação para que todos os artistas possam levar sua mensagem através de uma obra, de qualquer estilo ou forma, para fazermos um grande cordão em volta do prédio da Bienal, fazendo mostrar que não se conhecem a produção real da arte.

Depois da crise, o mercado tenta novamente estender seu domínio, mas devemos ter uma posição firme, clara, para um melhor e mais promissor mundo da arte, promovendo uma ação e reflexão, para alimentar co

m consistência a nossa cultura.

Será esta a possibilidade de mostrarmos o que verdadeiramente se produz atualmente.

VIDEO DO MANIFESTO :: MITOS VADIOS 2