sábado, dezembro 18, 2010

Belo Horizonte encerrou no Brasil trajetória da exposição “Os Onze Futebol e Arte – África do Sul 2010 x Brasil 2014”

Belo Horizonte encerrou no Brasil trajetória da exposição “Os Onze Futebol e Arte – África do Sul 2010 x Brasil 2014”

Foto: Divulgação
José Zaragoza reproduz lances de uma partida de futebol

Após seis meses de exposições pelo Brasil e pelo mundo, a capital mineira foi escolhida para encerrar o ciclo de apresentações das obras de arte da mostra “Os Onze Futebol e Arte – África do Sul 2010 x Brasil 2014”, criada especialmente para a Copa do Mundo realizada em Johanesburgo. A exposição foi aberta na quinta-feira (2/12), às 19h, na Quadrum Galeria de Arte (Av. Prudente de Morais, 78 – Cidade Jardim), em Belo Horizonte (MG), com coquetel especial para patrocinadores, convidados e imprensa e encerrou hoje, 18.12.2010.

O time de artistas que forma o G-onze, organizador da mostra, visitou as principais capitais do país e em cada cidade por onde passou deixou um marco da presença forte do tema Futebol Arte, originado em nossa rica cultura, amplamente valorizado nas 14 telas que compõe a exposição, que conta com o patrocínio da NET através da Lei Estadual de Incentivo à cultura.
Esta geração de artistas viveu momentos áureos do futebol brasileiro e mundial e revolucionou o universo das artes no país. Eles se apropriaram do termo Futebol Arte para criar obras cuja estética surpreende não só pela forma e cor, mas especialmente pelo movimento, como se o espectador da obra estivesse assistindo a uma partida de futebol. Constam da mostra telas como “Dança do Futebol”, de Cláudio Tozzi; “Sonho de uma bola de futebol”, de José Roberto Aguilar; “A dividida”, de Inos Corradin e “Copa da África do Sul”, de Ivald Granato, curador da exposição e presidente da associação. Também participam da exposição os artistas plásticos Antônio Hélio Cabral, Antônio Peticov, Fernando Pacheco, Gregório Gruber, José Zaragoza, Luiz Áquila, Luiz Baravelli, Rubens Gerchman, Tomoshige Kusuno e Zélio Alves Pinto.

quinta-feira, dezembro 16, 2010

Candidato único, Heitor Martins é REELEITO presidente da Bienal de SP

AE - Agência Estado - 16 de dezembro de 2010 - Estadão

Candidato único, o empresário Heitor Martins foi reeleito presidente da diretoria executiva da Fundação Bienal de São Paulo para gestão de mais dois anos. Os conselheiros da instituição se reuniram anteontem no prédio da Bienal, no Ibirapuera, para efetivar a decisão. Martins, assim, será o responsável pela próxima 30.ª Bienal de São Paulo, a ser inaugurada em 2012.

Como ele afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo, as conversações para a definição do curador da futura edição da mostra estão "bastante adiantadas". "Falta amadurecer o projeto, os cronogramas", disse Martins, sem querer adiantar ou confirmar qualquer nome dos que estão sendo especulados no circuito artístico. O curador do evento, afirmou, será anunciado no início do ano, já com pré-projeto e equipe estipulados.

A reeleição de Heitor Martins ocorre poucos dias depois do término da 29.ª Bienal de São Paulo. Encerrada no domingo, a mostra recebeu, entre setembro e o último dia 12, público de cerca de 530 mil visitantes. O empresário manteve quase que a totalidade da composição da diretoria executiva de sua primeira gestão, eleita em maio de 2009 e que promoveu a reestruturação interna e financeira da instituição. Formam ainda sua equipe, agora, Eduardo Vassimon (1.º vice-presidente); Justo Werlang ( 2.º vice-presidente); e Jorge Fergie, Luis Terepins, Miguel Chaia e Salo Kibrit. A novidade será o anúncio de um diretor superintendente, já aprovado pelo conselho da Fundação Bienal de São Paulo.

Para 2011, estão acertados dois eventos da instituição. Como parte ainda do programa da 29.ª Bienal, se inicia, em janeiro, a itinerância de núcleos da exposição por cidades brasileiras. A primeira mostra vai ser aberta em 18 de janeiro, no Palácio das Artes de Belo Horizonte. A segunda itinerância vai ser inaugurada em 28 de fevereiro no Museu de Arte Moderna do Rio - o calendário continua com exposições em Salvador, Porto Alegre, no Recife e cidades do interior do Estado de São Paulo.

O próximo evento ocorrerá entre setembro e dezembro de 2011 no Pavilhão da Bienal, uma mostra com 250 obras da coleção do museu Astrup Fearnley de Oslo. "Faz parte do nosso projeto promover a arte contemporânea", diz Martins, se referindo à exposição, que vai se centrar na produção artística realizada dos anos 1980 para hoje (com conjuntos de obras de estrelas como Damien Hirst e Jeff Koons, além de brasileiros). A mostra, com entrada gratuita, faz parte das comemorações dos 60 anos da Bienal de São Paulo. Outro desafio de Martins será dar continuidade à reforma do prédio da instituição que tem como ponto principal a climatização de todo o edifício. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

domingo, dezembro 12, 2010

Bienal de SP não atinge o público esperado, mas curador se diz aliviado

Maria Carolina Maia - Veja - 12.12.2010

Meta da organização do evento, que termina neste domingo, era receber 1 milhão de pessoas. Total de visitantes deve ficar entre 550.000 e 600.000

Foto de Moacir dos Anjo, que dividiu a curadoria da 29ª Bienal de São Paulo com Agnaldo Farias

Moacir dos Anjo, que dividiu a curadoria da 29ª Bienal de São Paulo com Agnaldo Farias (Divulgação)

Após quase três meses, a 29ª Bienal de São Paulo chega ao fim neste domingo com um público menor que o esperado – a meta inicial da organização era atrair 1 milhão de visitantes ao pavilhão do Parque do Ibirapuera. O número final de espectadores só será conhecido nesta segunda-feira, quando será feito um balanço da mostra. Mas, de acordo com Moacir dos Anjos, que dividiu a curadoria da exposição com Agnaldo Farias, o número deve ficar entre 550.000 e 600.000 pessoas.

Se não atingiu o objetivo estabelecido em termos de público, a 29ª edição da Bienal teve outras conquistas. A importância do evento, diluída em sua edição anterior (apelidada de "Bienal do Vazio"), restabeleceu-se. Houve diversas polêmicas e a presença de estudantes se ampliou.

É provável que o empresário Heitor Martins, considerado o grande responsável pela revitalização do maior evento de arte nacional – ele transformou uma dúvida de 4 milhões de reais em investimentos de 30 milhões e recuperou a imagem da mostra – permaneça à frente da Fundação Bienal para a edição de 2012. Moacir dos Anjos, no entanto, já anuncia que vai sair. Segundo ele, é saudável para o evento ter um olhar diferente a cada edição e ele próprio quer se dedicar a projetos menores. Antes de se despedir da exposição, Moacir dos Santos conversou com o site de VEJA. Confira abaixo, em tópicos, os principais momentos da entrevista.

Público
“Devemos alcançar algo entre 550.000 e 600.000 visitantes. É um número expressivo, tão grande quanto o da 27ª Bienal, aquela realizada antes da Bienal do Vazio (que recebeu 150.000 pessoas), e maior que o da Bienal de Veneza, de cinco meses de duração. Está entre os maiores públicos de qualquer Bienal do mundo. Poderia ser mais, é claro, mas, creio que há um limite de público para o evento. É um paradoxo: a gente quer atrair o maior número de pessoas, mas sabe que há um teto. Um milhão é um número mágico ligado a um desejo de inclusão quase absoluto. Um número simbólico. Não estava amparado em nenhum dado científico relacionado à capacidade da exposição acolher esse número de pessoas de forma adequada. Receber cerca de 600.000 pessoas já demanda um grande esforço para permitir que a exposição seja apreciada por todos sem nenhum prejuízo da experiência. Eu tenho dúvida da capacidade de uma exposição desse tamanho comportar mais público do que isso. Eu estive na mostra diariamente e vi que ela estava cheia, no limite da visibilidade. Em algumas salas, a gente circulava com dificuldade, especialmente a partir das 15h.”

Escolas
“Ter quase metade do público constituído por estudantes e professores é um mérito, não um demérito. Esse é o foco do evento. O projeto educativo começou simultaneamente com o da curadoria, em agosto de 2009, não como apêndice, e sim como parte central da proposta da exposição. Em fevereiro, já estávamos com todo o projeto educativo pronto, textos e jogos elaborados. Em março, começamos o treinamento de professores da rede pública e privada – até agosto, foram treinados cerca de 30.000 professores, que puderam reproduzir em sala o conteúdo recebido. Só não trouxemos mais alunos por questões logísticas.”

Polêmicas
“Tenho um sentimento ambivalente em relação às polêmicas. Elas mostraram como as artes visuais podem fazer alguns segmentos da sociedade falar e se colocar diante da arte. Quando o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) se manifesta pela retirada de uma obra da mostra, ele leva à sociedade na discussão artística. É interessante como a arte ainda é capaz de promover o debate acalorado sobre determinadas questões. Por outro lado, as polêmicas lançaram uma nuvem de opacidade sobre o resto da exposição. Muitas obras passaram despercebidas.”

2012
“Eu fui contratado para esta Bienal. A cada dois anos, a mostra contrata um novo curador. Houve alguns casos no passado em que a curadoria foi convidada a permanecer. Mas não é a intenção dessa organização. Nem é minha vontade fazer uma outra mostra desse porte por muitos e muitos anos. Prefiro focar em mostras menores. Para a instituição, é salutar ter um olhar diferente a cada dois anos.”

Veneza
“Eu e o Agnaldo Farias vamos agora trabalhar na representação brasileira na Bienal de Veneza do ano que vem. Convidamos Artur Barrio, português que mora no Brasil desde os 10 anos, a apresentar um trabalho novo na mostra. Desde meados dos anos 1990, o governo brasileiro delegou à Fundação Bienal de São Paulo a organização da representação brasileira dentro da Bienal de Veneza, a única do mundo que ainda tem representações por país. Em geral, as delegações elegiam dois artistas. Dessa vez, decidimos apresentar um apenas, para mostrá-lo de maneira mais potente, não acanhada. Barrio foi escolhido por ser reconhecidamente um grande artista brasileiro. Desde os anos 60 tem tido papel fundamental na arte mais experimental brasileira. E achamos que a Bienal de Veneza é uma plataforma importante para legitimar internacionalmente a sua trajetória.”

terça-feira, dezembro 07, 2010

A Pinacoteca do Estado de São Paulo apresenta a exposição Georg Baselitz: Pinturas Recentes.

A Pinacoteca do Estado de São Paulo apresenta a exposição Georg Baselitz: Pinturas Recentes. De 07 de dezembro a 30 de janeiro 2011

Pela primeira vez, será apresentado na America do Sul um conjunto de 30 pinturas realizadas nos últimos 12 anos, período em que o artista revisita os temas centrais de sua obra, dando-lhes uma nova face. Acompanhando e reagindo à dinâmica cultural contemporânea, sua pintura se tornou mais lírica, mais rápida e fluída, ao mesmo tempo mais ácida e mais irônica. "Remix"; assim Baselitz denominou este projeto assumindo de maneira critica e pessoal esse conceito difundido em outras esferas da cultura de massa.

Através das obras dessa última década, o pintor parte em revisita aos seus temas, suas obsessões, sua trajetória existencial e artística, iniciando uma nova fase A obra de Georg Baselitz (Alemanha, Deutschbaselitz, 1938), que tem início nos anos 1960, é marcada pelas influências do expressionismo alemão como também pelo expressionismo abstrato norte-americano. Ao longo de sua trajetória, Baselitz também assimilou outras influências como a arte africana e o maneirismo francês e italiano do século XVI.

O uso livre das cores, a pincelada agressiva, as imagens ora abstratas ora figurativas e, especialmente, a representação das figuras de cabeça para baixo, tornam sua obra inconfundível.
Hans-Georg Kern nasceu em 1938, assumindo em 1961 o nome de Georg Baselitz em alusão a sua cidade natal, Deutschbaselitz, então parte da Alemanha Oriental. A pesada herança alemã do pós-guerra, passando pela reunificação que neste ano comemora 20 anos, tem sido objeto de sua visão provocativa e implacável.

O profundo envolvimento com a tradição expressionista e sua visão do mundo contemporâneo, tornou Baselitz um dos grandes artistas da segunda metade do século XX até os dias de hoje. Essa dimensão de sua obra tem sido reconhecida pelas grandes instituições artísticas mundiais nas quais expôs e está presente no acervo.
Na sua longa trajetória artística Baselitz representou a Alemanha na Bienal de Veneza de 1980 e participou da Documenta V e VII nos anos 1972 e 1982.

Em 1995 o Museu Guggenheim de Nova Iorque realizou a primeira grande retrospectiva do artista que posteriormente foi exibida no Los Angeles County Museum of Art, no Hirshhorn Museum and Sculpture Garden em Washington e na Neue Nationagalerie em Berlim.

Em 1996, o Musée de l'Art Moderne de la Ville de Paris também efetuou uma retrospectiva. Mais recentemente, em 2007, a exposição retrospectiva mais ampla até hoje em dia foi realizada pela Royal Academy em Londres. Os trabalhos da série “Remix” foram mostrados pela primeira vez, em 2006 e 2007, na Pinakothek der Moderne de Munique e no Museu Albertina de Viena.

sexta-feira, novembro 26, 2010

A Exposição "Sensation", de 1997, e a Bienal de São Paulo. Por: Plínio Palhano

Por: Plínio Palhano //Artista Plástico para o Diario de Pernambuco :: 26.11.2010

A exposição Sensation, realizada em 1997 na Royal Academy of Arts, em Londres, reunindo a geração dos Young Bristish Artists - YBAs, foi organizada por um bem sucedido empresário da publicidade - Charles Saatchi, que se tornou um dos mais importantes marchands e proprietário da Saatchi Gallery, especializada em arte contemporânea e a principal interessada em colocar artistas no topo do mercado e da publicidade nas grandes metrópoles. O mote da Sensation? A mistura de erotismo, violência, vulgaridade e humor grotesco.

Entre as obras, estava um retrato da serial killer Myra Hindley, num painel de 4 x 3,5 m que reproduzia a foto policial divulgada pela imprensa, na década de 1960, à procura da assassina de crianças. O autor, Marcus Harvey, intitulou a obra de Myra, e os pixels da foto, excessivamente ampliada, tinham a forma de mãos de criança, mas ele, talvez para se precaver de reações penais, teve o cuidado de informar que aquelas mãos eram reproduzidas por moldes, e não por seres inocentes.

Outro artista, Marc Quinn, realizou a obra Self, uma escultura de sua cabeça, moldada em 4,5 litros do seu próprio sangue, congelada e colocada num cubo refrigerado para transmitir a sensação de vida e morte, como uma máscara mortuária produzida pela força do sangue - vida e morte simultaneamente.

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Marc Quinn, "Self", 1990

A grande estrela do evento foi Damien Hirst, que esquartejou animais com precisão, apresentando-os em tanques, imersos em formol. Inicialmente foram ovelhas, porcos e vacas. Nas séries posteriores, vieram os tubarões.

A Royal Academy, como instituição tradicional, abriu uma seção reservada para maiores de 18 anos, porque ali estavam os manequins de Jake e Dinos Chapman, apresentados explorando taras sexuais e apelos ao grotesco. Eram inocentes xifópagos amontoados em posições diversas, que apresentavam pênis no lugar das narinas e ânus no da boca.

O público mordeu a isca da suposta provocação, agredindo pessoas e obras presentes na mostra e pedindo o fechamento da exposição; uma verdadeira moeda de recompensa para o organizador, que estava ´antecipando` os lucros promovidos pela ignorância daquele público que consolidava o tão almejado escândalo. E assim aconteceu: só um dos tubarões de Damien Hirst foi vendido, posteriormente, por 12 milhões de dólares!

Essa exposição foi uma das mais representativas do pensamento da arte nas últimas décadas, influenciando centros culturais considerados de Primeiro Mundo e da periferia. Nesse sentido, a Bienal de São Paulo não foge à regra: recebeu, após anos, os reflexos da proposta de Sensation, propondo-se também a escandalizar, e o público reage em protestos, premiando os curadores e protagonistas, possibilitando enorme publicidade, com a pretensão de lucros futuros, e alimentando o permanente vazio de conceitos na arte.