quarta-feira, maio 07, 2014

‘Caos’ de Alex Flemming: artista plástico expõe retratos na Galeria Paralelo

Por redação Catraca Livre
 
Pinceladas de tintas metálicas sobre um fundo preto-prata em tela. Assim fez Alex Flemming na sua série “Caos“, que ganha exposição pela primeira vez na cidade, na Galeria Paralelo. A mostra faz um resgate dos retratos dentro da História da Arte e fica em cartaz no espaço entre 9 de maio e 12 de julho, de segunda a sexta, das 10h às 19h, e aos sábados, das 11h às 17h. A entrada é Catraca Livre.

Dilvulgação

As obras de Flemming visam refletir o caos de onde o ser humano veio e para onde ele vai um dia. Trata-se da fixação de um momento de trânsito entre a vida e a morte.
De acordo com o artista, a utilização das tintas metálicas na composição faz com que as telas reflitam a luz de maneira diferente de manhã, à tarde e à noite, transmutando-as conforme a mudança das horas.

sexta-feira, maio 02, 2014

Retrospectiva inédita no CCBB São Paulo homenageia centenário de Iberê Camargo

Este ano completa-se o centenário de nascimento de um dos maiores artistas brasileiros, e a partir de sábado, 3, uma mostra no Centro Cultural do Banco do Brasil de São Paulo dá início às homenagens. Iberê Camargo tem suas obras reunidas na exposição “Um Trágico nos Trópicos” até 7 de julho.

Divulgação

Luiz Camilo Osório é o responsável pela curadoria e a mostra é  uma co-realização da Fundação Iberê Camargo, onde são expostas em torno de 145 obras de Iberê. O projeto configura-se como a primeira grande exposição do artista em São Paulo nos últimos dez anos, apresentando uma retrospectiva com os vários momentos de sua trajetória. O objetivo é apresentar ao público parte importante da história do artista que é considerado um dos mais importantes nomes da arte brasileira do século 20.

Divulgalção

Iberê Camargo é autor de obra extensa, que inclui pinturas, desenhos, guaches e gravuras, com traços e sensibilidade única. A questão do corpo e da carne (seja a da pintura e das tintas, seja a do homem e sua existência) marca a obra do artista desde seu início nos anos 1940 e a percorre até o final, nos anos 1990.

Divulgação

 

Serviço:
Iberê Camargo: Um Trágico nos Trópicos
Curadoria: Luiz Camillo Osório
CCBB - Rua Álvares Penteado, 112, Centro, São Paulo
Até 7 de julho
Das 9h às 21h00, de quarta a segunda
culturabancodobrasil.com.br

segunda-feira, abril 21, 2014

Arte chinesa até 19 de maio na Oca

Em por http://www.parqueibirapuera.org

A mega mostra China Arte Brasil está no Ibirapuera ocupando quase todo o espaço da Oca e tem nomes de destaque na arte contemporânea. Com obras inéditas em São Paulo, a mostra traz também uma seleção de peças de arte antiga e arte têxtil. A curadoria é de Ma Lin e Tereza de Arruda.

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Divulgação: http://chinartebrasil.com.br

O visitante poderá encontrar obras produzidas desde a década de 1990 até o momento atual. Dentre os 62 artistas expostos, alguns nomes em destaque são Ai Weiwei, Luo Brothers, Ma Liuming, Miao Xiaochum, Ni Weihua, Qu Yan e Yin Xiuzhen.

Alguns dos trabalhos em exposição foram criados especialmente para a China Arte Brasil, como os de Wang Qingsong, Wang Shugang e Xiong Yu. Outras chamam atenção por suas dimensões, como as pinturas de mais de 16 metros de Wang Shun-Kit.

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Divulgação: http://chinartebrasil.com.br/

Além de pinturas, diversos outros formatos fazem parte das obras em exibição, como esculturas, instalações, fotografias, arte têxtil, vídeos e performances. A exposição vai até o dia 18 de maio, na Oca do Ibirapuera.

Segue trechos de Carolina Molina sobre a exposição no Estado de São Paulo:

A exposição, com obras realizadas nos últimos 30 anos, tem segmentos com curadoria de Tereza de Arruda e da chinesa Ma Lin. “No começo, os artistas chineses estavam muito manipulados pela questão mercadológica, mas, desde 2008, quando estourou a crise econômica mundial, tornaram-se mais autônomos, maduros”, diz a brasileira, que vive em Berlim, mas está em contato com a arte contemporânea da China há mais de dez anos. Já Ma Lin, da Universidade de Xangai, preparou um núcleo de trabalhos expostos no segundo andar da Oca. “São 21 criadores não orientados pelo mercado, que refletem sobre problemas sociais.

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Divulgação: http://chinartebrasil.com.br/

Segundo Silvia Martí, na Folha, a exposição:
…tenta agora traçar para o público ocidental e dos trópicos um panorama visual do gigante asiático, com algo do bom e muito do bizarro que surgiu por aquelas terras.
Do muro de lambe-lambes que anunciam computadores a preço de banana, obra de Wang Qingsong, ao bebê de cores radioativas empunhando uma garrafa de Fanta, dos Luo Brothers, a arte chinesa recente ilustra a oposição total entre atração e repulsa.
Isso porque duas correntes antagônicas estão por trás da obra desses artistas. De um lado, é uma arte fruto da rebeldia contra as restrições da Revolução Cultural maoísta, a ditadura ideológica que foi de 1966 a 1976. De outro, é um resgate de tradições que ganhou força nos anos 1980.
Também parece haver uma relação de amor e ódio com o Ocidente. Nos primórdios da abertura econômica chinesa, a arte do país incorporou símbolos ocidentais —daí Fanta, Coca-Cola e McDonald’s figurarem nos quadros— na ânsia de criar um discurso alinhado à contemporaneidade.”

CHINA ARTE BRASIL Onde: Oca, Parque Ibirapuera (Av. Pedro Álvares Cabral, Portão 3) Quando: até 18 de maio de 2014 Horários: terça a domingo das 9h às 18h; quintas das 11h às 22h Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); às terças a entrada é gratuita

sábado, abril 05, 2014

Feira SP-Arte vai até domingo, 6 de abril


Por Roseane Aguirra Do UOL, em São Paulo 05/04/2014

Com 136 expositores, a 10ª edição da feira de arte contemporânea SP-Arte acontece até domingo (6), no pavilhão da Bienal do Parque do Ibirapuera. Participam do evento 78 galerias nacionais e 58 vindas de 17 países.
Divulgação

Mais do que um espaço de compra, a feira é uma boa oportunidade para fazer pesquisas, conhecer o perfil das galerias, aproximar-se das obras e tirar dúvidas com os galeristas.
Em entrevista ao UOL, Julie Belfer, diretora de conteúdo da Art Option, empresa que oferece serviço de consultoria para quem deseja comprar obras de arte, destaca que é importante que sejam levados consideração a arte em si, o mercado e a questão pessoal, ou seja, o que o comprador deseja adquirir.

"Você acaba criando uma relação com a obra que está na sua casa. Você vê a obra e a obra te vê todos os dias, é um relacionamento", brinca. "A gente quer que a pessoa compre o que ela realmente quer comprar, e não só o vai dar valor financeiro".
Sobre os preços, Julie comenta é possível encontrar obras "decentes" na SP-Arte partindo de R$ 3 mil, R$ 3.500, mas que tudo depende da carreira do artista, do perfil e do valor de mercado.

"Não é ruim ser caro, tudo depende. Depende do bolso, depende do artista, depende do que você quer. Não dá pra chegar na Chanel e pedir algo de R$ 50. É a carreira, é a proposta da loja. Por isso, a pesquisa é importante, para você não querer se meter em galeria muito cara, fora do que você quer pagar", explica.
Para ajudar nessa busca, a consultora dá algumas dicas para quem deseja visitar a SP-Arte e adquirir obras.

Estudo
"A primeira coisa que as pessoas devem fazer é buscar conhecimento, por no Google, ler livros de história da arte, pesquisar mesmo", diz a consultora.
Julia brinca e diz que, em palestra, já recomendou a leitura do livro de história "Era dos Extremos", de Eric Hobsbawm, para compreender melhor a história contemporânea.

Visita a exposições
Outro ponto importante sobre adquirir conhecimento é visitar o máximo de exposições que puder. Não apenas galerias, mas museus grandes também, a fim de se ambientar no mundo das artes e adquirir repertório.
Segundo ela, a SP-Arte oferece uma vantagem de não intimidar o visitante, que apenas quer "olhar sem compromisso". A dica é que se tire todas as dúvidas possíveis.
"Pergunta para o galerista 'e ai, o que você tem a me dizer sobre a obra?', veja se tem um texto explicativo. Geralmente, as pessoas leigas se intimidam, mas tem que perguntar", diz.

Ajuda profissional
Quem preferir, pode contratar uma orientação profissional, que poderá alinhar o interesse do comprador com as opções do mercado, considerando o orçamento disponível. "Nosso repertório já é bastante recheado, é uma questão de ampliação de possibilidades", afirma.
A consultoria é composta de uma reunião, em que o consultor conhece o perfil do comprador, seu orçamento e consegue definir o que ele quer. A partir daí, são feitos ciclos de pesquisas, apontando obras e galeristas. O serviço pode se estender até a montagem da obra, na casa do comprador, e a indicação de serviços de manutenção e restauro, se preciso.
Contudo, mesmo que o objetivo não seja comprar, Julie destaca que a visita à feira é um ponto de partida interessante, "mesmo que você vá só por pesquisa, só para conversar e começar a pensar".

Na SP-Arte, estão presentes galerias conceituadas do circuito mundial das artes, como Pace, White Cube, David Zwirner, Larry Gagosian, Marion Goodman, Lisson, Luisa Strina, Thaddaeus Ropac,  Neugerriemschneider, Kurimanzutto, Franco Noero e Continua.

Serviço  SP-Arte Quando: Até 6 de abril de 2014. Quinta a sábado, das 13h às 21h; Domingo, das 11h às 19h Onde: Pavilhão Ciccillo Matarazzo - Parque do Ibirapuera, Portão 3 Quanto: R$ 40 [inteira] e R$ 20 [meia]
Mais informações: http://www.sp-arte.com/


domingo, abril 29, 2012

IVALD GRANATO NO JAMES LISBOA :: 08.05.12

Ivald Granato e a mostra CorSimCorNão


O James Lisboa Escritório de Arte inaugura no dia 8 de maio, terça-feira, às 20 horas, a mostra Cor Sim Cor Não do artista Ivald Granato. Na individual, o irrevente artista abandona a figuração, apresentando 38 pinturas sobre tela, papel e colagens produzidos entre 2011 e 2012. Abertura conta com pocket show da banda de pós-punk Tokyo Savannah, com quem Ivald dá canja de guitarra, e uma atração surpresa. Verborrágico, exagerado, performático, Granato simplifica sua pinturas deitando o esquema de cores celebrizado em Heads (1989) para produzir a presente série. Nela, o campo visual é tomado por grandes pinceladas de cores saturadas entremeadas por linhas igualmente marcantes e descontínuas. 


O título Cor Sim Cor Não, por sua vez, leva às raias da obviedade sua atual noção de pintura – atual, sim, já que a personalidade mutante do artista reinventa a técnica a cada estação. O grande conjunto de colagens e pinturas sobre papel que abrem a exposição, essas de menor dimensão que as pinturas da sala seguinte, ilustram parte do processo de criação do artista, iconoclasta que rasga jornais, revistas e mesmo seus próprios desenhos para recompor a massa em sínteses de grande apelo visual.  Outro aspecto de interesse na mostra é seu caráter multifacetado, pois conta com a exibição de um site specific do artista Flávio Rossi e a apresentação do curta-metragem Parece que foi ontem (9’, cor, 2008) registro de performance de Granato feito por Ismael Oliveira. 


Sobre o artista: 

Ivald Granato, é fluminense, nascido em Campos, Rio de Janeiro, em 1949. Até 1966 viveu em sua cidade natal, onde começou a desenhar desde muito cedo, sob influencia dos pintores cubistas. Nesse ano inicia seus estudos com Robert Newman e, no ano seguinte, ingressa na escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Artista polêmico e provocador, utilizou, além da pintura, a performance como meio de expressão. O Urubu Eletrônico (Teatro Municipal e São Paulo, 1976), Ciccilio Matarazzo em Mitos Vadios (Rua Augusta, São Paulo, 1978), Bandait (Centro SP Cultural São Paulo, 1982), Painting Performance (Munique, 1984), Pasta Man (Basiléia, Suiça) e Painter and Model (Escola Panamericana de Arte, 1991) foram algumas das inúmeras performances. Recebeu vários prêmios, entre eles o de Melhor Ilustrador do Ano, da Editora Abril, e o Prêmio aquisição na 1a Trienal de Osaka, Japão, ambos em 1990, e o Prêmio Jabuti, de Melhor Capa de Livro – Processo de Criação – Darlene Dalto – 1993. Granato realizou numerosas exposições individuais e coletivas no Brasil, Estados Unidos, Japão, América Central e América do Sul, das quais podemos destacar as seguintes: Bienal Internacional de São Paulo, 1979, 1981, 1985, 1989 e 1991; 1a Bienal de Havana, Cuba, 1984; 4a Bienal Ibero-Americana de Arte, México, 1984; exposições no MuBE em 2004 e2005; no MAC-SP; no Museu de Arte Contemporânea de Olinda; no Museu de Arte Moderna, Salvador; My Name Is Not na Document-art Gallery, Buenos Aires, 2011; Rambranato, em Cascais, Portugal; na Renato Rodyner Gallery, 2011; e na Bela 2012 – Biennial of Europian and Latin American Contemporary Art no Porto, Portugal em maio de 2012. 


Exposição: Cor Sim Cor Não – individual de Ivald Granato Abertura: 
08 de maio, terça-feira, às 20h 
Período expositivo: de 09 de maio a 26 de junho de 2012 
Local: James Lisboa Escritório de Arte Endereço: Rua Dr. Melo Alves, 397, Cerqueira César, CEP 01417-010, São Paulo, SP 
 Horários: de segunda a sexta, das 10 às 19 horas e sábado, das 10 às 14 horas 
 www.escritoriodearte.com

quarta-feira, janeiro 11, 2012

CHARLES SAATCHI :: Fala do quão repugnante ele acha esse novo mundo das arte

para o “THE GUARDIAN”
Tradução de CLARA ALLAIN

Ser um marchand hoje em dia é indiscutível e amplamente vulgar. É o hobby de integrantes do "eurotrash", de oligarcas e "óleogarcas" descolados, e de marchands dotados de autoestima em níveis masturbatórios.

Essas pessoas foram encontradas reunidas em seus superiates em Veneza na espetacular Bienal de Arte de 2011. Veneza já tem lugar cativo no calendário desse novo mundo das artes, em uma sequência estonteante de eventos sociais carregados de glamour, passando de uma festa cheia de luxo a outra.

As credenciais artísticas precisam estar sempre atualizadas. É importante de ser visto como uma pessoa culta, elegante e, é claro, estupendamente rica.

Será que alguma dessas pessoas de fato sente prazer em observar obras de arte? Ou elas simplesmente se comprazem em ser donas de quadros facilmente reconhecidos, criados por grandes nomes, comprados de modo ostensivo em leilões por preços de tirar o fôlego para decorar suas diversas residências -flutuantes ou não-, em uma demonstração instantânea de riqueza ímpar?

O prazer delas consiste em que seus amigos avaliem o peso de suas aquisições e fiquem estarrecidos.
Não surpreende, portanto, que o sucesso dos supermarchands seja baseado no poder misterioso que a arte hoje exerce sobre os super-ricos.

IMPRESSÃO REFINADA
 
Os novos colecionadores, alguns dos quais se tornaram multibilionários graças a seu tino para os negócios, são reduzidos à gratidão incoerente por seus marchands ou assessores artísticos, que podem ajudá-los a transmitir uma impressão refinada, moderna e de bom gosto, cercados por suas obras-primas irretocavelmente descoladas.

Não faz muito tempo, eu acreditava que qualquer coisa que ajudasse a ampliar o interesse pela arte contemporânea deveria ser saudada e que apenas um esnobe quereria que a arte fosse limitada a um grupo de aficionados merecedores dessa descrição.

Mas mesmo um sujeito exibido, narcisista e que defende seus próprios interesses, como eu, acha repugnante esse novo mundo das artes. No fervor dos excessos, nem sequer é considerado necessário perder tempo para olhar as obras expostas. Nos mega eventos artísticos do mundo, são apenas os quadros na parede que acabam passando despercebidos.

Não conheço muitas pessoas do mundo artístico, frequento apenas as poucas de quem gosto, e tenho muito pouco tempo para roer as unhas de ansiedade devido às críticas.

Se eu parar por um instante de me comportar corretamente, revelarei meu segredinho obscuro: na realidade, não acredito que muitas pessoas do mundo das artes tenham muita sensibilidade para as artes.
Acho que muitas não conseguem distinguir um artista bom de outro fraco, enquanto o artista não tiver sido validado pelas opiniões de outros. Para os curadores profissionais, selecionar telas específicas para uma exposição é uma perspectiva que assusta, por ser uma demonstração reveladora demais da falta daquilo que nós, do ramo, chamamos de "olhar".

Eles preferem exibir vídeos, além de incompreensíveis instalações pós-conceituais e painéis de fotos e textos, submetendo-os à aprovação de seus pares igualmente inseguros e míopes. Esse trabalho "conceitualizado" vem sendo regurgitado incessantemente desde os anos 1960.

POUCA CURIOSIDADE

Poucas pessoas no mundo da arte contemporânea manifestam muita curiosidade. A maioria passa seus dias falando bobagens, no lugar de tentar discernir por que um artista é mais interessante que outro ou por que um quadro funciona e outro, não.

Os críticos de arte vão ver principalmente as exposições que seus editores lhes mandam cobrir; seu interesse em ver outras coisas é limitado. Os marchands raramente vão ver exposições nas galerias de outros marchands.

Já ouvi dizer que quase todas as pessoas que lotam os grandes vernissages mal olham para as obras -vão aos eventos apenas para bater papo. Não há nada de errado nisso, exceto pelo fato de que elas nunca retornam para ver a arte, mas dizem a todos que viram a mostra.

Por favor, não interprete minhas opiniões pomposas acima expressas como sendo referência à grande maioria das mostras promovidas em galerias, em que marchands expõem obras de arte que esperam que alguém queira comprar para sua casa. Esse aspecto do mundo das artes me enche de prazer, quer eu goste ou não da arte exposta.

Perguntam-me amiúde se eu compraria arte se não houvesse uma oportunidade de lucrar com isso. Eu não lucro com isso. Qualquer lucro que eu possa auferir com a venda de obras de arte é reinvestido na compra de mais obras de arte.

É bom para mim, porque posso continuar a encontrar muitas obras novas para expor. É bom para aqueles do mundo da arte que veem essa abordagem como prova de minha venalidade, superficialidade e malevolência.

E é compreensível que, a cada vez que você deixa um artista feliz ao selecionar a obra dele, deixe cem pessoas ofendidas: os artistas que deixou de escolher.

Alegra-me que nossas exposições tenham recebido resenhas pouco elogiosas desde a exposição inaugural, "Warhol, Judd, Twombly e Marden" (1985). Ainda acho que o dia em que todo o mundo gostar de uma mostra será um dia negro.

A mostra em questão seria uma coisa pouco inspirada, algo feito para agradar ao establishment das artes, e eu saberia que meus dias atuando com arte estariam finalmente terminados.

sábado, novembro 19, 2011

A Balela de BASEL

Por Ivald Granato
Talvez a Galeria moderna/contemporânea mais antiga e atuante no Mercado Brasileiro, a Raquel Arnaud, com várias participações em feiras internacionais, sofra um corte inestimável na Feira Basel/Miami. Digo inestimável, não pela feira em si - pois pelo visto os seus critérios são questionáveis - mas por aumentar o clima de falta de transparência e confiança no atual mercado de artes e principalmente em Feiras, atualmente sob o comando de velhos e arcaicos modelos Europeus Decadente.























O pior disto tudo, é que que conta com apoio de concorrentes brasileiros dando um clima ditatorial às feiras puramente comerciais. Desculpem, mas isto é uma vergonha. Onde andam os jornalista que não investigam isso? Muitos perguntam: Quem vota na feira de BASEL? Respostas: As mesmas pessoas (vide imagem acima/esquerda). Defendendo uma agenda pessoal, estas pessoas se mantêm no committeé por anos a fio, que na verdade deveria mudar de 2 em em dois anos para evitar panelas e constrangimento. Aonde esta a imprensa que sempre divulgou "gratuitamente" essas feiras puramente comerciais. Sim, porque se a divulgação de meras feiras as levaram ao patamar de eventos oficiais e formadores de opinião do mercado de arte, elas passam a ser de interesse público, e por conseguinte precisam ser investigadas.

Por hipótese alguma sou contra feiras, muito pelo contrário, mas não podemos mudar a concepção do que venha a ser uma feira. Por que feira é feira, só São Paulo tem 360 feiras diárias. Quando vão ter consciência que feira não passa de uma feira - Acho que vou propor uma barraca de pastel assinada por artistas. Chega de desrespeito à arte e ao público. Chega de egos inflados, ciúme e de um sistema ditador que só serve para esquentar as feiras comerciais de cartas marcadas.

Ao invés de colaborarem culturalmente com o mercado, esta panelinha tira e põe quem querem por simples ciume e ganância. Vamos aguardar e ver se de fato este absurdo vai acontecer de termos uma galeria tradicional  como a Raquel Arnaud receber um NÃO na feira BASEL-MIAMI, e pior... avalizado com voto de galeria concorrente. Repito, aonde está a imprensa ?

Aproveito para repostar este vídeo, que mostra entre várias coisas a manipulação e falta de transparência em que vivemos:



quinta-feira, novembro 17, 2011

Ivald Granato, el domador de lo vivo: Mostra Individual em Buenos Aires

De cuerpos, sellos y rituales irreverentes: Ivald Granato, el domador de lo vivo

Curaduría: Lic. Mariana Rodríguez Iglesias - Lic. María Laura García

Su nombre será Ivald Granato - Gonzalo Aguilar



Un desafío de los años por venir, en el mundo del arte, será cómo montar las muestras de arte conceptual. El problema, desde que buena parte del conceptualismo volvió la obra inmaterial, existe desde los comienzos pero con los revivals y las retrospectivas que se vienen, la pregunta se impone: ¿cómo exponer en el presente una tendencia cuyas huellas no están en un objeto en particular sino en las fotos, los registros, los catálogos o programas, las reseñas periodísticas, las opiniones de los participantes y los testimonios retrospectivos? ¿Qué hacer con su temporalidad, su duración real de performance, y su temporalidad histórica? ¿Cómo interactuar con los artistas cuando están vivos y reinterpretan lo que ya no es totalmente de ellos o, cuando están muertos, cómo traerlos a la sala de exposiciones?

El 5 de noviembre de 1978, en la rua Augusta al 2918 de la ciudad de San Pablo, un helicóptero descendió sobre el terreno (un estacionamiento para autos) en el que se estaba desarrollando el evento. La gente reunida se hizo a un lado para que del helicóptero bajara un hombre disfrazado que decía no ser Cicillo Matarazzo, el conocido empresario y marchand de arte paulista que impulsó la primera Bienal en 1952. En su habitual estilo delirante, el hombre disfrazado (en realidad, el artista Ivald Granato) hizo su performance [...]*

*el resto del escrito podrá ser leído como parte de la exposición a inaugurar este viernes 18 de noviembre.

Se trata de la primera exposición individual de Granato en Buenos Aires, en la que se mostrará un recorte de su producción vinculado al arte correo, la documentación y la performance, terrenos que el artista paulista frecuenta desde mediados de los años 60s y que lo llevaron a producir obras junto a artistas como Ulises Carrión (O Domador de Boca, 1978, Amsterdam), Helio Oiticica, Ligia Pape, Marta Minujín y Alfredo Portillos, et. al. (Mitos Vadios, 1978, San Pablo).

Document-Art Gallery nace en 2009 como una singular propuesta dedicada a preservar y valorizar el arte conceptual de America Latina. Con un espacio de 120m2 propios, nivel de especialización profesional y gestión bibliográfica, la Galería selecciona cuidadosamente artistas y obras fundamentales para la comprensión de los procesos culturales desarrollados en nuestro continente a partir de los años '60.

Document-Art Gallery
info@document-art.com
http://www.document-art.com/
apertura: 18 de noviembreDocument Art Gallery
Loyola 32 -Buenos Aires
T + 54 11 48 57 91 75



terça-feira, novembro 01, 2011

Caminhos Efêmeros da Poesia | Intervenções no Parque Ibirapuera

O Parque do Ibirapuera está recebendo novos hóspedes e já se acostumou com outros recém-chegados, todos eles vindos do universo artístico da Cidade. Um deles é a instalação Caminhos Efêmeros da Poesia, da poetisa Rita Alves, que chegará ao parque em novembro.


A intervenção consiste em gravar frases e poemas no asfalto e em meio às raízes das árvores que margeiam o lago próximo da Praça da Paz, em um trajeto de aproximadamente 600 metros. Os poemas serão grafitados pelos Gêmeos da Arte, Anderson e Robert Pinheiro, aliando versos, artes visuais, propostas culturais e ambientais. A idéia de concretizar a poesia pelos caminhos do parque foi do diretor do Ibirapuera, Heraldo Guiaro, que pretende abrir a possibilidade de utilizar esse espaço para novas intervenções efêmeras. “A idéia é estimular os visitantes diante desta proposta, para que eles se sintam parte integrante do processo poético, que passem a transitar pela obra, interagindo com o espaço da natureza, em que o meio ambiente é o principal veículo para a mostra da curadoria de poemas”, explica Guiaro.

Poesia não tem hora
No mesmo dia, haverá a instalação da obra Poesia não tem hora – também criação de Rita Alves e do artista plástico e publicitário Lee Swain, que montará um relógio de sol em meio ao parque. A cada hora marcada, uma poesia representará o numeral em placas de pedra. Serão 12 placas de formato irregular, com 12 poesias gravadas de 12 artistas diferentes. As pedras serão colocadas em torno de uma árvore, e a sombra desta árvore fará o papel do ponteiro, assinalando as horas em cada uma das poesias.
Os visitantes poderão pisar nas horas e nas placas dos versos e escolher a leitura de poetas contemporâneos como Alice Ruiz, Lívia Garcia Roza, Guilherme de Faria, Reynaldo Bessa, Rita Alves, Roberto Piva, Luis Serguilha, Pedro Vicente Alves Pinto, entre outros. A cerimônia de inauguração das obras será marcada por apresentações musicais de Os Chorões, Orquestra Filarmônica do Theatro Municipal e Os Trovadores Urbanos, além da leitura de poemas por Luciana Vendramini, Jayme Periard, Cássio Junqueira, Pedro Vicente Alves Pinto, Guca Domenico e Heraldo Guiaro.

Recém-chegados
Entre os recém-chegados ao parque, estão a Mantra Dinamus Estelar, do espanhol Jaime Prades. Era só uma caixa d´água em formato cilíndrico, com mais de 10 metros de altura, localizada entre os prédios do Museu de Arte Moderna (MAM) e a Bienal, no Parque Ibirapuera. Até que Prades resolveu transformar aquela superfície de alvenaria com muitas marcas urbanas e pichações em uma grande tela, pronta para receber pinceladas e cores vivas, misturando e transformando tudo em arte
O trabalho do artista espanhol dialoga com a realidade e as características urbanas grafadas ali, agregando valor ao incluí-las dentro de uma obra cultural. “Essa ‘sujeira’ aos olhos da maioria precisa ser vista, tornada visível através da consciência sobre a realidade de nossa cultura, onde predominam os valores de consumo, aparência e onde o dinheiro é Deus”, afirma Prades.

A caixa de concreto que se transformou em arte também inverte a relação dominante da Cidade, onde as edificações dominam as árvores. Ali acontece o contrário – a caixa d’água está rodeada pelo verde, como um remanescente de uma cidade ou de uma civilização perdida. no tempo. É nesta poética, do tempo e da memória, do estranhamento e do conflito entre natureza e cidade que o artista atuou.
Jaime Prades é um dos artistas pioneiros da arte urbana de São Paulo da década de 80. Seus grafismos fazem parte da identidade visual de São Paulo.

O artista Antonio Peticov também usou o espaço do parque e a natureza para fazer sua arte utilizando o conceito da não-perpetuação. As folhas de árvores caídas na terra serviram de inspiração ao artista, que desenhou um círculo movimentando as folhas para fora, formando um círculo traçado pelo marrom escuro da terra, que estava por baixo das folhas “É na efemeridade deste trabalho que a arte se justifica, como complemento da forma circular, metáfora profunda de ciclo, de princípio e fim, amalgamados até que não se reconheça onde foi o ponto de partida”, explica o artista.

Assim, o próprio tempo cumprirá a função de apagar as marcas humanas, pelo efeito do vento. “Neste trabalho sou o agente humano que desperta os nossos olhos para o trivial da natureza, que não deixa de ser sempre uma surpresa, uma possibilidade de expressão”, conclui Peticov.

Serviço:
Caminhos Efêmeros da Poesia e Poesia não tem Hora
Data: 5 de novembro
Hora: das 18h às 21h
Local: Margem do lago 2, próximo da Praça da Paz
Mantra Dinamus Estelar
Data: Obra permanente
Local: Bosque entre os prédios do Museu de Arte Moderna (MAM) e a Bienal
Informações Parque Ibirapuera: 5574-5177
Fonte: Prefeitura de São Paulo


terça-feira, outubro 11, 2011

LUIZ CAVALLI :: Individual na Mercearia São Roque

O Artista Plástico Luiz Cavalli abre mais uma exposição individual na Mercearia São Roque na próxima segunda-feira, dia 17.10.2011. Vernissage a partir das 19h00.


Nascido no Rio Grande do Sul, desde 1965 ele adotou São Paulo onde vive. Sua linha de produção artística é enriquecida pela formação como publicitário, o que o levou a explorar todos os recursos da internet para divulgação de sua obra. Embora o vários rótulos atribuídos a seu estilo, como o de neo-expressionismo, figurativo e fauvista, tem-se revelado com uma pintura forte e característica pelo uso de cores primárias e temas do cotidiano. Fotos pessoais e imagens de livros são grandes fontes inspiradoras para o artista.

Exposição LUIZ CAVALLI
17 de outubro de 2011
MERCEARIA SÃO ROQUE
Rua Amauri, 35 - Jd. Europa S.P.
Info: 11 3062 2612

terça-feira, julho 26, 2011

Ivald Granato :: A Multitasking Artist

Versão traduzida. Originalmetne Publicado em 24.07.2011 por: www.artistshowdown.com

Ivald Granato é um profissional completo: Performático, artista visual, escultor, gravador, artista de vanguarda ... é de fato o que se chama de 'multitasking artist'. Para muitos ele é um incansável L'enfant terrible. Com 60 anos, há mais de 40 ele participa ativamente do cenário artístico brasileiro e internacional. Com uma lista interminável de mostras individuais em Museus e Galerias de Arte em todo o mundo, ele não para. Por tudo que ele já fez e acumulou, ao longo dos anos, muitos poderiam achar que ele levaria uma vida descansada e confortável em sua bela casa em São Paulo, ou simplesmente gastando o seu dinheiro viajando ao redor do mundo. O que não vem a ser tão longe da verdade; mas ele nunca foi capaz de se acomodar e domar o seu espírito 'quixotiano'. Granato é incontrolavelmente inquieto. Independentemente se ele está viajando ou em seu ateliê, está sempre pensando em novas maneiras de fazer as coisas, bem como de contrariar o mercado das artes, que ele chama frequentemente de manipulado e manipulador.

Granato agora está na reta final dos preparativos da sua próxima mostra. Na verdade se trata do início de uma turnê com duração de apenas um dia em cada cidade, no formato pop-up. Acontecerá em várias cidades no Brasil e Europa. Neste projeto ele traz de volta um pouco das performances que ele tanto fez com Helio Oiticica, nas décadas de 70 e 80, mas com uma linguagem atual e antenada. A mostra se chama "RockShow - Parece que foi Ontem". Nela teremos projeções de vídeos de performances atuais e antigas, assim como uma exposição exclusiva de 30 gravuras, cada uma com tiragem limitada de 3, medindo 54 x 39 cm, da sua série "Grafhis" - criada em sua viagem este ano pela Europa.

Exposição (1 dia apenas):
Dia 09 de agosto, às 20h.
GALERIA GARCIA- Rua Auriflama 87- SÃO PAULO.


Versão Original:

Ivald Granato: The performer, the visual artist, the sculpturer, the engraver, the vanguard and multitasking artist. For many he is a resteless L’enfant terrible. At the age of 60, he has been active and engaged in the Brazilian and international art scene for the past 40 years. With an endless list of solo shows in Museums and Art Galleries around the globe, he is non stop. For all he has done and for all he has gained, throughout the years, one would guess he ought to rest and live his comfortable life in his amazing house in Brazil or simply spend his money and time traveling around the world. That isn’t far from the truth. However, he has never been able to tame the uncontrollable and restless ranger he actually is. Regardless if he is traveling or is in his pad, he is always thinking about new ways of doing things, as well as contradicting the staggered art scene he often calls manipulated and manipulative.

He’s now working on a new show format, actually it’s a 1 day pop-up show where he brings back the flair of the performances he used to to with Helio Otiticica, back in the 70’s and 80’s. It’s called “Parece que foi ontem”, something like ‘It seems like yesterday’.

The show embodies video projections of late and early performances and an exclusive exhibition of 30 prints, each one is a limited edition of 3 - 54×39cm from the series ‘Grafhis” gathered from his latest fact finding trips around the world. It will take place at Galeria Garcia, located on Rua Auriflama 87, in Sao Paulo. Save the date: August 9 at 8PM.


We borrowed the words of Jacob Klintowitz, one of the greatest art critics in Brazil, to better portray Ivald Granato’s multitasking profile.

“When we view Ivald Granato’s paintings, we often get the impression they were made quickly. Some could not have taken more than a day to come to being. That is indeed the truth. They were created in exactly forty years and a day.

Throughout the last forty years, Ivald Granato has been a constant and forceful presence in Brazilian art. During this time he did practically everything an artist can possibly do in the XX and XXI centuries: painting, drawing, sculpture, objects, ceramics, installations, performance, postal art, works in progress, muralism, art books, urban interventions, alternative journalism. It is through such restless and intensely participative activity that one can understand the history of our art simply by observing Granato’s work throughout its course. It is difficult to understand the history of Brazilian art without acknowledging the presence of Ivald Granato.

As an artist, Ivald Granato is gifted with a rare peculiarity. He organizes movement, gesture and energy and his creative process is similar to the result of painting. His ahs a particular method, of energetic impulse and a visceral dive into the construct of the figure. Notice how his figures – the core of his work – convey incessant movement as if the brush had a frenetic life of its own. The figure takes shape without prior drawing, without the need of a single stroke of contour, as it is established by the relationships among the internal pictorial volumes.

Ivald Granato is a gestural artist. Ivald Granato is an artist who immerses himself in the act of creation. For Ivald Granato, the creative gesture is also a body movement, a dance, particular and unique. And paradoxically, Ivald Granato, a member of our vanguard, an icon of the contestation movements and of the pursuit of new languages, is a classicist, given that the manner by which he constructs the figure – through the relationships among internal volumes – is best exemplified by the emblematic work of Paul Cézanne.”

Jacob Klintowitz

sábado, maio 21, 2011

MAM-SP rejeita doação de 14 obras do pintor Ianelli

Sexta, 20 de maio de 2011, 08h09

Por Claudio Leal para Terra Magazine

O conselho consultivo do MAM (Museu de Arte Moderna) de São Paulo rejeitou a doação de 14 obras do pintor e escultor Arcangelo Ianelli (1922-2009), um dos mais importantes e valorizados artistas plásticos brasileiros. Ianelli doou, em testamento, cerca de 170 obras representativas de sua trajetória para o acervo de 16 museus nacionais e estrangeiros. O museu paulista foi o único a rejeitar a oferta e surpreendeu os filhos do pintor, Kátia e Rubens.

"Tinha redundância em relação ao que a gente já tem do Ianelli", argumenta o curador do MAM, Felipe Chaimovich, em conversa com Terra Magazine. Apenas duas das 14 peças foram consideradas como não-redundantes pelo conselho formado por Annateresa Fabris, Luisa Duarte e Lauro Cavalcanti. A recusa também se fundamenta na ausência de recursos para pagar o imposto de transmissão das obras. "Não tinha nada previsto em termos do nosso plano anual", acrescenta Chaimovich.

Na carta enviada à família, em 24 de novembro de 2010, o curador não mencionou as justificativas. "O Conselho Consultivo de Artes do Museu de Arte Moderna, em sua última reunião, posicionou-se contrariamente à entrada dessas obras no acervo do museu. Assim sendo, entendemos por bem recusar as mesmas", informa, secamente, o documento.

"Houve rejeição ao artista", diz família

Depois de ser informada sobre os fundamentos do veto, Kátia Ianelli consultou o advogado da família e soube que os museus estaduais estão isentos do imposto de transmissão, o que favoreceu a Pinacoteca de São Paulo e o Masp. Ela contesta, mais energicamente, a tese da "redundância". "A nossa primeira preocupação é ter, por impresso, todas as obras que cada museu possui. Na primeira carta da proposta de doação, eu fazia referência a esse cuidado: nós iríamos contemplar os museus com fases que eles não tivessem, com trabalhos inéditos", relata Kátia.

A filha do pintor enumera as novidades para o acervo: "O MAM não tem nenhuma escultura do meu pai. Estavam propostas duas esculturas e mais uma escultura em madeira. Não tem nenhum pastel. Estavam propostos vários pastéis. Nenhuma transição e nenhuma arte figurativa. Eles não tinham nada dessas fases e dessas técnicas, como escultura de mármore, relevo pintado, que foi o último segmento da obra do artista, com 30 exemplares - e um deles estava indo pro MAM. Tudo que foi proposto era inédito. Se nada disso era contribuição, acho que eles não queriam mesmo a contribuição do artista, e não das obras".

A presidente do MAM e uma das principais acionistas do Itaú, Milú Villela, não retornou ao telefonema da reportagem. Em 20 de dezembro de 2010, ela recebeu uma carta dos filhos de Ianelli, na qual se lastima a recusa e se ressalta "a trajetória do artista nessa entidade", bem como a "história profissional, reconhecidamente destacada no panorama da arte moderna do Brasil". Arcangelo Ianelli integrou o conselho do MAM e ajudou a criar a biblioteca Paulo Mendes de Almeida. Por considerá-lo um dos seus museus favoritos, ele estimulava outros artistas a doarem suas obras para fortalecer o acervo.

"A gente entende que um museu deve saber o que é relevante. Parece que o MAM ficou sem memória e esquece um artista importante, que teve seu momento na arte brasileira", critica o artista plástico Rubens Ianelli. "Existe uma memória seletiva e um ponto de vista pessoal. Não é uma visão mais abrangente, mais aberta, sem tendências. É preciso ter essa história", reforça o filho.

O exemplo do MAM não foi seguido por outras instituições, que reagiram com entusiasmo ao testamento de Ianelli: o Museu Afro Brasil, a Pinacoteca, o Mab/Faap, o MAC (USP) e o Masp, em São Paulo; o Museu Nacional Belas Artes e o MAC de Niterói, no Rio de Janeiro; o Museu Inimá de Paula, em Belo Horizonte; o Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba; e o Margs, em Porto Alegre.

No exterior, o Malba e o Museu de Belas Artes, na Argentina, o Museu do México e o Museu de Arte Moderna da Colômbia. "Emanoel Araújo, diretor do Afro Brasil, vibrou com a notícia e foi o primeiro a incorporar as obras, em março de 2010", conta Kátia. O MAM-RJ ainda não se posicionou sobre a oferta.

Ferreira Gullar: "Estou perplexo"

O poeta e crítico de arte Ferreira Gullar, 80 anos, revela "perplexidade" com a decisão do museu. "A princípio, me parece um pouco estranho. Sem examinar, sem conhecer as razões, é difícil que uma instituição se negue a aceitar uma doação de um artista da importância do Ianelli. É, de fato, surpreendente. Eu era amigo do Ianelli, admirava a obra, sem dúvida eu lamento isso. É uma coisa estranha... Só digo a você que estou perplexo, perplexo, não estou entendendo nada".

Ao ser informado sobre as justificativas do museu, Ferreira Gullar reforça a estranheza. "Nenhuma instituição se nega a aceitar as obras de um artista da importância do Ianelli, porque isso enriquece o acervo. É estranho. O museu deve ter lá suas razões, mas, olhando assim de longe, eu confesso que estou surpreendido".

Com sentimento idêntico, o museólogo e ex-curador do Masp, Fábio Magalhães, destaca a importância artística de Ianelli. "Seguramente, seu papel histórico está crescendo com o tempo. Ele é um artista que ultrapassou as fronteiras do Brasil, passou as fronteiras internacionais. É indiscutível. Há depoimentos críticos sobre isso. Eu me surpreendo. Estou criando o Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba (SP) e solicitei à família que doasse algumas obras, porque ainda não existia quando ele fez o testamento. Temos interesse em receber as obras de Ianelli", enfatiza.

Magalhães avalia que os museus podem se equivocar nas suas escolhas. Fundado em 1931, o Whitney Museum of American Art foi criado a partir de uma coleção de arte americana rejeitada pelo MoMA (The Museum of Modern Art), de Nova Iorque. "Depois, ele voltou atrás e hoje tem uma coleção americana enorme. Os museus também se equivocam e, muitas vezes, isso fica claro num pequeno período de tempo. É humano, as pessoas se equivocam", afirma o crítico. "Sei que a Kátia Ianelli é muito atenciosa nessas coisas. Não acredito que ela não tenha visto as obras existentes para fazer uma doação criteriosa. A única coisa que posso ficar é surpreso".

O diplomata Gilberto Chateaubriand, dono de uma das maiores coleções privadas de arte brasileira, cedida em comodato ao MAM do Rio de Janeiro, prefere não opinar sobre o assunto, por não ter acompanhado de perto. Ele apenas relata que os museus internacionais costumam acolher essas doações, "desde que tenham disponibilidade física e interesse cultural". "Mas é o Ianelli, meu Deus", diz.

O testamento

"A gente não sabia da existência do testamento", relembra Rubens Ianelli. "Ele já tinha uma listinha. A doação era um consenso aqui em casa". Em conversas com os filhos, o pintor manifestava a vontade de doar as obras mais representativas para alguns museus brasileiros e internacionais, num esforço de permanência artística. O trabalho de catalogação, com o rastreamento de quadros e esculturas, já dura oito anos.

Após a morte de Ianelli, Kátia iniciou a seleção, amparando-se nas velhas indicações do pai. Rubens cuidou do encaminhamento das obras para os museus. Cada instituição recebeu uma pasta com a ficha catalográfica.

Em março de 2011, o Mon de Curitiba realizou a primeira mostra dos 16 quadros doados por Ianelli (contava com apenas três obras dele no acervo). E exemplares da fase figurativa agora se encontram na Pinacoteca de São Paulo. A partir dos anos 60, Ianelli se dedicou ao abstracionismo informal e chegou, na década 70, à abstração geométrica, com retângulos e quadrados interpenetrados.

No mercado, suas obras têm valorização crescente. Em agosto de 2009, num leilão realizado no centro de convenções B'Nai B'Rith, em São Paulo, os lances iniciais de dois de seus quadros foram de R$ 200 mil e R$ 150 mil.

"Com o MAM, ele tinha uma relação diferente, porque participou desde o começo, criou a biblioteca que não existia e fez a primeira retrospectiva lá", recorda-se Rubens. O destino das 14 obras rejeitadas depende da Justiça e ainda não está definido. Um gesto raro de doação segue suspenso no ar, sem moldura.